O risco da Argentina voltou a ganhar fôlego nos mercados.
Durante a sessão desta segunda-feira, o índice EMBI+ da J.P. Morgan quebrou a barreira dos 600 pontos base, atingindo 596 pontos — o nível mais baixo em vários meses — antes de voltar a estabilizar nesse patamar. O movimento confirma a tendência de redução do prémio de risco exigido pelos investidores para financiar o Tesouro argentino.
De acordo com os analistas, a descida resulta de três fatores principais:
(i) sinais de maior disciplina fiscal e de normalização macroeconómica;
(ii) o anúncio do ministro da Economia, Luis Caputo, de um programa de recompra de dívida e reforço das reservas internacionais;
(iii) as expectativas em torno de operações de gestão de passivos, incluindo a troca de títulos apoiada por organismos multilaterais.
A compressão do risco soberano melhora as condições de acesso ao mercado internacional de capitais e pode traduzir-se em emissões futuras a custos mais baixos, aliviando a pressão sobre a tesouraria pública.
A reação dos ativos foi imediata: os principais títulos soberanos em dólares abriram em alta, com ganhos próximos de 2% em alguns prazos.
No plano estrutural, o Governo mantém em curso uma operação de troca de dívida destinada a libertar recursos para programas educativos, cujo montante total ronda 16,3 mil milhões de dólares, com novos vencimentos previstos para 2029 e 2030.
A consolidação desta trajetória dependerá, contudo, da evolução da inflação, da estabilidade cambial e da manutenção das metas orçamentais.
Por agora, a mensagem enviada aos mercados é clara: o risco argentino encontra-se em fase de descompressão, embora permaneça sujeito à volatilidade típica de um processo de reancoragem macroeconómica.
Autor: Arcana News
📷 Imagem: – manutalaixa / Pixabay
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