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Humanas

O LĂĄpis Azul

Entre a redação e a impressĂŁo havia um passo que nĂŁo era segredo: o censor riscava a lĂĄpis azul. Os leitores sabiam. Liam na mesma. Este Ă© o mecanismo mais difĂ­cil de nomear — um conhecimento que existe na consciĂȘncia mas nĂŁo atravessa para o lado onde o comportamento seria alterado. O Estado Novo tinha o seu lĂĄpis azul. Berlim tambĂ©m. A questĂŁo nĂŁo Ă© porque aconteceu. É porque continua a ser possĂ­vel.

Sarah Mullally e a Igreja sem centro

A entronização de Sarah Mullally como arcebispo de CantuĂĄria nĂŁo Ă© apenas um marco histĂłrico. É tambĂ©m o retrato de uma Igreja fragilizada, dividida entre o declĂ­nio em Inglaterra e uma ComunhĂŁo Anglicana global que jĂĄ nĂŁo reconhece facilmente a autoridade do seu antigo centro.

O IrĂŁo nĂŁo Ă© um dossiĂȘ tĂ©cnico

HĂĄ uma forma especĂ­fica de falhar que parece vitĂłria. Ao longo de sete dĂ©cadas, os Estados Unidos trataram o IrĂŁo como um problema tĂ©cnico a resolver — destruindo capacidades, impondo pressĂŁo, celebrando resultados imediatos — sem responder Ă  Ășnica pergunta que importa: o que vem a seguir. O resultado foi sempre o mesmo: cada sucesso tĂĄtico abriu espaço a um problema estratĂ©gico maior.

O Preço de Ser Exposto

Este ensaio propÔe uma leitura estrutural da repressão à imprensa: os governos não gerem apenas informação, gerem o custo de serem expostos. Quando esse custo desce, a supressão da verdade torna-se politicamente racional.

O Corredor dos Cinquenta e Quatro QuilĂłmetros | Estreito de Hormuz

Entre a Península Aråbica e o Irão existe um corredor marítimo de apenas 54 quilómetros. Por ele passa cerca de um quinto do petróleo mundial. Na guerra atual, esse estreito tornou-se o ponto onde um país militarmente mais fraco pode transformar risco global em poder estratégico.

Quando um Estado NĂŁo Tem Nada a Perder

Quando o adversĂĄrio declara que o objetivo Ă© a tua eliminação, a racionalidade muda de forma. NĂŁo porque os atores se tornem irracionais — mas porque a lĂłgica da sobrevivĂȘncia existencial produz conclusĂ”es que a anĂĄlise convencional nĂŁo estĂĄ preparada para nomear. Este artigo nomeia-as.

A aliança que funciona e jå não existe

Os lĂ­deres europeus aplaudiram Marco Rubio, tranquilizaram-se mutuamente e regressaram Ă s capitais com uma certeza que nenhum formulou em pĂșblico: o quadro que organizou a segurança ocidental desde 1949 deixou de ser percebido como garantido. NĂŁo foi declarado morto. Foi substituĂ­do por algo sem nome ainda.

Contra-terrorismo na Europa: por que falhou desde 1985?

Menos ataques não significa menos risco: a radicalização juvenil online expÔe limites políticos de coordenação, força e conhecimento no contra-terrorismo europeu.

Reconhecimento BiomĂ©trico – VigilĂąncia e Poder

A biometria entrou na vida comum como conforto: desbloquear, pagar, atravessar um torniquete. Mas o mesmo ato — transformar um corpo em padrĂŁo — serve tambĂ©m o Estado e o mercado quando a pressĂŁo Ă© segurança, disciplina ou controlo. Entre falsos positivos, dados e cruzamento de identidades digitais, a conveniĂȘncia muda de estatuto: deixa de ser opção e torna-se infra-estrutura. E infra-estruturas raramente pedem consentimento.

Venezuela e a ilusão da decapitação

A extração de Maduro muda o rosto, nĂŁo o Estado. Em colapsos prolongados, remover o topo nĂŁo produz transição: abre concorrĂȘncia por força e rendimentos. Com a economia esmagada, a indĂșstria petrolĂ­fera degradada e redes armadas a lucrar com a fragmentação, o cenĂĄrio mais provĂĄvel Ă© colapso estabilizado — e a regiĂŁo paga o custo.

Leitura Essencial

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