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CONTEXTO

Europa entre duas ameaças

Europa entre duas ameaças: a Rússia mantém-se como perigo militar direto, mas a China surge como ameaça tecnológica de longo prazo. O relatório holandês alerta para uma Europa ainda pouco preparada para tratar ambas com a mesma lucidez estratégica.

Por que falta gás de cozinha na Índia?

Por que falta gás de cozinha na Índia? A resposta começa no Estreito de Ormuz e termina nos bairros operários de Noida. A decisão de proteger as famílias formalmente registadas transferiu o peso da escassez para o segmento mais desprotegido da força de trabalho urbana. O gás foi o gatilho; a pressão acumulava-se há muito mais tempo.

Porque o cessar-fogo com o Irão não encerrou a crise?

O cessar-fogo não encerrou a guerra no Irão. Ormuz, o bloqueio naval e o programa nuclear mantêm Washington e Teerão numa crise instável. A vitória anunciada por Trump ainda não se traduziu em estabilidade política.

Escolas na crise anglófona dos Camarões: porquê?

Não é força de expressão. Num conflito irregular, sem frente clara e com a autoridade repartida entre o exército, os grupos separatistas, as chefias locais, as redes de vigilância, as comunidades deslocadas e homens armados sem filiação inequívoca, qualquer sinal público ganha peso.

O que cortaram no contraterrorismo dos EUA antes do Irão?

O FBI removeu 300 agentes de contraterrorismo. A Divisão de Segurança Nacional perdeu 40% dos procuradores. O cargo de diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo está vago. Foi neste contexto que os EUA entraram em conflito com o Irão — um Estado com serviços de informações e historial de operações contra alvos americanos no exterior.

Síria: a bomba que foi destruída e não foi

Em 2013, a Síria declarou à OIAC ter destruído a totalidade dos seus stocks de armas químicas. Em março de 2017, a bomba M4000 foi utilizada em ataques com sarin em Latamné. A confirmação institucional chegou em abril de 2020. O que o intervalo revela não é uma falha de procedimento. É o limite estrutural de qualquer regime de verificação que depende da cooperação do Estado que está a ser verificado.

Dalai Lama e a sucessão que Pequim quer controlar

Em 2007, a China aprovou legislação que subordina ao Estado todas as reencarnações de líderes budistas em território chinês. Um partido que nega vidas anteriores exige o monopólio sobre a sua autenticação. A eficácia da resposta tibetana depende de uma variável que nenhuma declaração institucional controla: se os governos que hoje rejeitam interferência estatal sustentarão essa posição quando confrontados com o candidato concreto e os custos de uma rutura com Pequim.

Defesa Europeia – NATO e União Europeia sobre o mesmo terreno

NATO e União Europeia intervêm hoje sobre os mesmos dossiês de defesa. O que era descrito como divisão de funções tornou-se zona de sobreposição com fricção real. Quem enquadra as decisões passa a determinar quem produz e com que dependências.

A Dinamarca reconstruiu uma cidade. Os EUA querem um mercado

Quando um Estado concentra sessenta por cento da sua ajuda numa única cidade, está a fazer política externa por outros meios. O modelo dinamarquês separa assistência de interesse comercial. O americano dissolve essa fronteira desde o início.

Escrita e poder: cinco mil anos de monopólios contestados

Em 1559, a Igreja publicou uma lista de livros proibidos. Não era um acto de obscurantismo isolado: era o reconhecimento de que a prensa de Gutenberg tinha redistribuído o controlo sobre o conhecimento escrito de forma que nenhuma instituição conseguia reverter. A história da escrita não é uma progressão de liberdade. É uma sequência de monopólios — cada um deles contestado pela ferramenta seguinte.

Leitura Essencial

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