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Ensaio

Dalai Lama e a sucessão que Pequim quer controlar

Em 2007, a China aprovou legislação que subordina ao Estado todas as reencarnações de líderes budistas em território chinês. Um partido que nega vidas anteriores exige o monopólio sobre a sua autenticação. A eficácia da resposta tibetana depende de uma variável que nenhuma declaração institucional controla: se os governos que hoje rejeitam interferência estatal sustentarão essa posição quando confrontados com o candidato concreto e os custos de uma rutura com Pequim.

Tóquio, em Mandarim

Weiquan significa "defender direitos". Em dicionários japoneses aparece em katakana com uma definição correcta e inteiramente alheia ao que a palavra pesa — os escritórios invadidos, as licenças revogadas, a contracção de quem a ouve num sítio errado. A tradução fez o que as traduções fazem: transferiu o conteúdo semântico e deixou na fronteira o peso contextual que não tem equivalente. O que ficou intraduzível não era excesso. Era o núcleo.

O controlo americano de chips falhou — e a China avançou

Os controlos de exportação de chips não travaram a IA chinesa. Forçaram adaptação, eficiência e implantação industrial. O problema já não é o acesso: é a vantagem americana.

No Uganda, a lei persegue pouco. Os chantagistas, muito.

Quando uma lei transforma um comportamento em crime grave mas o Estado não tem capacidade ou vontade de a aplicar, cria-se um mercado. No Uganda, esse mercado é servido por informadores, polícias corruptos e criminosos com conta numa aplicação de encontros. A orientação sexual de outra pessoa passou a ter preço de mercado — calibrado em função da capacidade de pagamento da vítima. Isto não é uma disfunção da lei ugandesa. É o seu produto principal.

O Preço do Silêncio

No nordeste do Qatar, a maior planta de gás natural liquefeito do mundo está parada. Não é uma metáfora — é maquinaria fria, navios sem carga, terminais à espera. Quatro semanas depois de Washington e Israel lançarem ataques sobre o Irão, o que o conflito está a revelar não é uma crise energética. É a descoberta de que a arquitectura da globalização foi construída sobre uma premissa que nunca foi escrita em nenhum tratado: que certos chokepoints nunca seriam testados.

A Arte de Telefonar

O Paquistão tem o FMI à porta, um exército que governa por baixo do governo e uma fronteira de novecentos quilómetros com o Irão. Em março de 2025, era também o país que Washington e Teerão usavam como câmara de compensação. Não apesar da fragilidade — por causa dela. Os melhores mediadores são os que têm mais a perder se a crise escalar.

Christian Petzold e a arte de sobreviver

Christian Petzold divide os seus filmes em duas categorias: os que são uma casa e os que são um barco. Uma casa é o que se constrói para durar. Um barco é o que se constrói para atravessar. A distinção parece técnica — é uma questão filosófica. A mesma que atravessa toda a sua obra: o que se constrói quando o que havia já não está? E como se distingue reparar de substituir, quando o luto confunde os dois gestos?

O Preço de Ser Exposto

Este ensaio propõe uma leitura estrutural da repressão à imprensa: os governos não gerem apenas informação, gerem o custo de serem expostos. Quando esse custo desce, a supressão da verdade torna-se politicamente racional.

O HOMEM QUE REVIU O DIAGNÓSTICO – Marquês de Lafayette

Em agosto de 1792, Lafayette atravessou a fronteira austríaca à espera de asilo. Os austríacos prenderam-no. Ficou cinco anos em Magdeburgo. A questão não é que tipo de homem resiste a isso — é o que ele viu, naquele momento específico, que os outros não viram. E por que razão conseguiu vê-lo.

O Sistema sem Árbitro

Khamenei não governava por decreto. Governava por arbitragem — a capacidade de resolver, em privado e com autoridade final, os conflitos que nenhuma constituição resolve. Essa função não está inscrita em nenhum artigo. Não é transferível por nomeação. E não tem substituto à vista.

Leitura Essencial

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