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Aurelian Draven
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Aurelian Draven é correspondente e analista do Arcana News, onde escreve sobre conflito, segurança internacional e memória estratégica. É autor de mais de cem artigos de análise e inteligência, com atenção particular ao Médio Oriente, às zonas de tensão global e ao impacto de longo prazo das decisões de poder.
Quando inocentes acreditam numa palavra presidencial
Quando inocentes acreditam numa palavra presidencial, a frase deixa de ser apenas linguagem política. Na crise iraniana, sinais vindos de Trump podiam alterar decisões de civis, opositores e aliados antes de serem desmentidos pelos factos. O perigo está na distância entre a proclamação e a vida de quem acreditou nela.
Porque o cessar-fogo com o Irão não encerrou a crise?
O cessar-fogo não encerrou a guerra no Irão. Ormuz, o bloqueio naval e o programa nuclear mantêm Washington e Teerão numa crise instável. A vitória anunciada por Trump ainda não se traduziu em estabilidade política.
Como funciona o sistema de contraterrorismo de Trump com Gorka?
Uma estratégia sem processo interagências não é doutrina — é uma posição pessoal com papel timbrado. Gorka conta mortos. Não conta redes desmanteladas, recrutamento perturbado, ataques que não aconteceram. Essas métricas não existem no seu sistema. E são as únicas que distinguem um sistema que funciona de um sistema que ainda não falhou.
Síria: a bomba que foi destruída e não foi
Em 2013, a Síria declarou à OIAC ter destruído a totalidade dos seus stocks de armas químicas. Em março de 2017, a bomba M4000 foi utilizada em ataques com sarin em Latamné. A confirmação institucional chegou em abril de 2020. O que o intervalo revela não é uma falha de procedimento. É o limite estrutural de qualquer regime de verificação que depende da cooperação do Estado que está a ser verificado.
Escrita e poder: cinco mil anos de monopólios contestados
Em 1559, a Igreja publicou uma lista de livros proibidos. Não era um acto de obscurantismo isolado: era o reconhecimento de que a prensa de Gutenberg tinha redistribuído o controlo sobre o conhecimento escrito de forma que nenhuma instituição conseguia reverter. A história da escrita não é uma progressão de liberdade. É uma sequência de monopólios — cada um deles contestado pela ferramenta seguinte.
Guerra do Irão: quando o espetáculo substituiu a estratégia
A guerra do Irão não falhou por falta de bombas. Falhou porque a audiência doméstica era o campo de batalha real — e a audiência não decide guerras. A doutrina de Hegseth eliminou os moderados que seriam necessários para qualquer transição.
Ormuz, Trump e a pausa armada disfarçada de acordo
O prazo expira, mas a ameaça pode não cumprir a forma anunciada.
Washington precisa de mostrar força sem aprofundar o choque petrolífero.
O mais provável não é a paz: é uma pausa armada com outro nome.
Guerra EUA-Irão: o abate do F-15E e a armadilha da escalada
O abate do F-15E alterou o equilíbrio narrativo da guerra.
Washington e Teerão leram o mesmo episódio como sinal de vantagem.
Esse duplo encorajamento torna a escalada mais provável.
O Papa no Interior do Império
A diplomacia vaticana assenta numa premissa raramente enunciada: o Papa não tem pátria. Robert Prevost desfez essa premissa de forma estruturalmente nova. O Arcana News analisa o que muda — e o que está verdadeiramente em jogo — quando o chefe da Igreja partilha o passaporte do país que conduz operações militares em três continentes.
Leão XIV e a Diplomacia Vaticana: o problema da origem
A Santa Sé construiu durante décadas uma posição de interlocutor sem interesse directo nos conflitos onde intervém. Esse modelo assenta na percepção de exterioridade — e essa percepção é mais difícil de manter quando o chefe da Igreja é cidadão do estado que conduz operações militares em três continentes. O que está em jogo não é a lealdade de Leão XIV, mas a geometria da credibilidade vaticana num momento de conflito activo.


