CATEGORIA
DINÂMICAS DE PODER
Dinâmicas de Poder reúne análises de enquadramento sobre os acontecimentos e decisões que moldam o nosso tempo. Aqui procuramos aquilo que fica quando passa a espuma: interesses em jogo, consequências, continuidades e mudanças. Um espaço de leitura com tempo e método, para compreender mais do que apenas acompanhar.
Escolas na crise anglófona dos Camarões: porquê?
Não é força de expressão. Num conflito irregular, sem frente clara e com a autoridade repartida entre o exército, os grupos separatistas, as chefias locais, as redes de vigilância, as comunidades deslocadas e homens armados sem filiação inequívoca, qualquer sinal público ganha peso.
Defesa Europeia – NATO e União Europeia sobre o mesmo terreno
NATO e União Europeia intervêm hoje sobre os mesmos dossiês de defesa. O que era descrito como divisão de funções tornou-se zona de sobreposição com fricção real. Quem enquadra as decisões passa a determinar quem produz e com que dependências.
Quando Hollywood Perdeu o Controlo
Um filme recusado pelos distribuidores chegou a quatro mil salas porque uma comunidade online decidiu mobilizar-se. O caso Iron Lung revela como a autoridade cultural da indústria cinematográfica começa a deslocar-se para fora de Hollywood.
Noruega e a guerra invisível da comunicação militar
No espaço de poucos anos, o Ártico e o Atlântico Norte passaram de periferia geopolítica a uma das zonas mais sensíveis da segurança euro-atlântica. A nomeação do brigadeiro Christian Øverli como chefe de comunicações das Forças Armadas norueguesas revela uma transformação silenciosa: a guerra contemporânea já não se trava apenas com navios, aviões ou brigadas. Trava-se também no domínio da perceção pública, da narrativa estratégica e da gestão da informação num espaço cada vez mais militarizado.
Irão: O Vácuo que Ninguém Sabe Preencher
Khamenei morreu. A cadeia de comando militar foi destruída. O IRGC continua a disparar. E ninguém tem autoridade para parar o que foi posto em movimento. Uma análise dos mecanismos de poder que a cobertura noticiosa não está a explicar.
Khamenei não governava por decreto. Governava por arbitragem — a capacidade de resolver, em privado e com autoridade final, os conflitos que nenhuma constituição resolve. Essa função não está inscrita em nenhum artigo. Não é transferível por nomeação. E não tem substituto à vista.
A Europa paga uma guerra que não controla
Entre fábricas, contratos e prazos de entrega, a Europa está a construir capacidade que faltou no início da guerra. Esta análise mostra o que está a ser produzido, quando ficará operacional e porque esse calendário já não serve o conflito atual.
A Amizade que a Rússia Nunca Perdeu
A Rússia danificou o oleoduto que abastece a Hungria e a Eslováquia. Budapeste e Bratislava responderam bloqueando sanções à Rússia e vetando o empréstimo europeu à Ucrânia. A sequência não é um paradoxo — é o mecanismo a funcionar exatamente como foi desenhado há 60 anos.
Não é mudança de regime. É um método. Aplicado em simultâneo no Irão, na Venezuela e em Cuba — com três instrumentos diferentes e a mesma lógica: não se remove o regime, reconstrói-se a sua geometria de incentivos até que se comporte como se fosse outro. E o precedente que isso estabelece para o resto do mundo é mais consequente do que o conflito iraniano.
Quando um Estado Não Tem Nada a Perder
Quando o adversário declara que o objetivo é a tua eliminação, a racionalidade muda de forma. Não porque os atores se tornem irracionais — mas porque a lógica da sobrevivência existencial produz conclusões que a análise convencional não está preparada para nomear. Este artigo nomeia-as.


