The Architecture of Fear, edição britânica de Um Piano para Cavalos Altos, ergue uma cidade disciplinar onde o medo organiza o espaço, a linguagem e a obediência. Sandro William Junqueira assina uma distopia de forte densidade simbólica, relevante para quem lê a política através da literatura.

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The Architecture of Fear e a política do medo

The Architecture of Fear, edição britânica de Um Piano para Cavalos Altos, ergue uma cidade disciplinar onde o medo organiza o espaço, a linguagem e a obediência. Sandro William Junqueira assina uma distopia de forte densidade simbólica, relevante para quem lê a política através da literatura.

Guerra do Irão: quando o espetáculo substituiu a estratégia

A guerra do Irão não falhou por falta de bombas. Falhou porque a audiência doméstica era o campo de batalha real — e a audiência não decide guerras. A doutrina de Hegseth eliminou os moderados que seriam necessários para qualquer transição.

MAGA, coesão identitária e o custo da guerra com o Irão

No MAGA, a autoridade define a doutrina — não o contrário. Noventa e dois por cento da base apoia a guerra com o Irão, mais do que qualquer outro subgrupo republicano, incluindo os republicanos de establishment que nunca criticaram o intervencionismo. Manter essa coesão tem um custo que cresce à medida que os resultados se tornam concretos e a periferia da coligação começa a avaliar.

O que o cessar-fogo EUA-Irão não resolveu

O cessar-fogo de duas semanas anunciado em abril de 2026 não encerrou o conflito EUA-Irão: estabeleceu uma pausa com termos que as duas partes formularam de forma incompatível. Washington descreveu a abertura imediata do Estreito de Ormuz; Teerão descreveu passagem sujeita a coordenação militar iraniana. O regime iraniano permanece no poder, o arsenal nuclear intacto, e as questões fundamentais aguardam as negociações de Islamabade.

Ormuz, Trump e a pausa armada disfarçada de acordo

O prazo expira, mas a ameaça pode não cumprir a forma anunciada. Washington precisa de mostrar força sem aprofundar o choque petrolífero. O mais provável não é a paz: é uma pausa armada com outro nome.

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O Lápis Azul

Entre a redação e a impressão havia um passo que não era segredo: o censor riscava a lápis azul. Os leitores sabiam. Liam na mesma. Este é o mecanismo mais difícil de nomear — um conhecimento que existe na consciência mas não atravessa para o lado onde o comportamento seria alterado. O Estado Novo tinha o seu lápis azul. Berlim também. A questão não é porque aconteceu. É porque continua a ser possível.

Noruega e a guerra invisível da comunicação militar

No espaço de poucos anos, o Ártico e o Atlântico Norte passaram de periferia geopolítica a uma das zonas mais sensíveis da segurança euro-atlântica. A nomeação do brigadeiro Christian Øverli como chefe de comunicações das Forças Armadas norueguesas revela uma transformação silenciosa: a guerra contemporânea já não se trava apenas com navios, aviões ou brigadas. Trava-se também no domínio da perceção pública, da narrativa estratégica e da gestão da informação num espaço cada vez mais militarizado.

Irão: O Vácuo que Ninguém Sabe Preencher

Khamenei morreu. A cadeia de comando militar foi destruída. O IRGC continua a disparar. E ninguém tem autoridade para parar o que foi posto em movimento. Uma análise dos mecanismos de poder que a cobertura noticiosa não está a explicar.

O Sistema sem Árbitro

Khamenei não governava por decreto. Governava por arbitragem — a capacidade de resolver, em privado e com autoridade final, os conflitos que nenhuma constituição resolve. Essa função não está inscrita em nenhum artigo. Não é transferível por nomeação. E não tem substituto à vista.

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