Bilionários Acumulam 13,5 Biliões de Euros em 2025

Economia

Elian Morvane
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Elian Morvane é autor e cronista do Arcana News, escrevendo atualmente na Revista Arcana News, sem deixar de colaborar também em peças noticiosas e em leituras estratégicas de política, economia e sociedade.

NOTÍCIA · Economia · Desigualdade

O Relatório do UBS revela que uma fortuna acumulada por quase três mil bilionários cresceu 13% num ano. Tecnologia e herança impulsionam concentração de riqueza enquanto desigualdade global se aprofunda.


A riqueza global controlada por bilionários atingiu 15,8 biliões de dólares em 2025, um aumento de 13% face aos 14 biliões registados em 2024, segundo o décimo-primeiro relatório anual “Billionaire Ambitions” publicado esta quinta-feira pelo banco suíço UBS. O número total de bilionários subiu de 2.682 para 2.919 indivíduos em doze meses, registando um crescimento de 8,8% que constitui o segundo maior aumento anual desde que o UBS iniciou o acompanhamento sistemático destes dados em 2015.

Riqueza dos Bilionários Atinge Máximo Histórico: 15,8 Biliões de Dólares em 2025.

Do total de novos bilionários, 196 construíram fortunas através de atividade empresarial, adicionando 386,5 mil milhões de dólares à riqueza global. Outros 91 herdaram o estatuto de bilionário, recebendo coletivamente 297,8 mil milhões de dólares — um aumento de 36% face aos 218,9 mil milhões herdados em 2024 e o maior montante transferido por herança jamais registado pelo banco suíço.

O crescimento acelerado da riqueza bilionária ocorre num período marcado por três dinâmicas convergentes: valorização explosiva do sector tecnológico (23,8%), desempenho robusto dos mercados bolsistas globais e intensificação da transferência intergeracional de património.

Benjamin Cavalli, responsável por clientes estratégicos e conectividade global na gestão de fortunas do UBS, contextualiza: “Estamos a observar como uma nova geração de criadores e herdeiros de riqueza está a remodelar a paisagem global.”

A distribuição geográfica mantém forte concentração. Os Estados Unidos lideram com 924 bilionários controlando 6,9 biliões de dólares. A China surge em segundo lugar com 470 bilionários e 1,8 biliões de dólares. Na Europa, a Alemanha destaca-se com crescimento de 33%, passando para 156 bilionários que detêm colectivamente 692,1 mil milhões de dólares.

Por sectores, a tecnologia lidera em ritmo de crescimento (23,8%), mas consumo e retalho permanecem o maior agregador de riqueza com 3,1 biliões de dólares, apesar do abrandamento para 5,3% causado pela perda de momentum da indústria europeia de luxo face a marcas chinesas. O sector industrial registou a subida mais acentuada em termos relativos: 27,1%, atingindo 1,7 biliões de dólares. Serviços financeiros cresceram 17% para 2,3 biliões, impulsionados pelo ressurgimento das criptomoedas.

A Grande Transferência

O relatório documenta aceleração sem precedentes na transferência patrimonial entre gerações. Em 2025, 91 herdeiros (64 homens e 27 mulheres) receberam 297,8 mil milhões de dólares, incluindo 15 membros de duas famílias farmacêuticas alemãs.

O número total de bilionários multigeracionais subiu de 805 para 860, controlando agora 4,7 biliões de dólares contra 4,2 biliões em 2024. A expansão ocorre em todas as gerações: bilionários de segunda geração cresceram 4,6%, terceira geração 12,3% e quarta geração ou posterior 10%.

John Mathews, responsável pela gestão de fortunas privadas do UBS nos Estados Unidos, enquadra o fenómeno: “Falamos da grande transferência de riqueza há mais de uma década. Agora está a materializar-se. É como um jogo de basebol de nove innings — estamos apenas no segundo.”

O banco projec

ta que 6,9 biliões de dólares serão transferidos globalmente até 2040, com pelo menos 5,9 biliões destinados a filhos directamente ou através de cônjuges. A maior parte da riqueza passa primeiro para parceiros sobreviventes (habitualmente esposas) antes de transitar para a geração seguinte.

Dinâmica de Género

Mulheres bilionárias ultrapassaram homens em acumulação de riqueza pelo quarto ano consecutivo. A fortuna média feminina cresceu 8,4% para 5,2 mil milhões de dólares, comparada com crescimento de 3,2% para 5,4 mil milhões entre homens.

Apesar do crescimento mais rápido, mulheres representam apenas 374 dos 2.919 bilionários globais, mantendo disparidade numérica acentuada (12,8% do total). O relatório atribui o crescimento acelerado a dois factores: aumento de mulheres empreendedoras bem-sucedidas e transferências patrimoniais que privilegiam viúvas antes de passar para descendentes.

Novos Bilionários

Entre os 196 novos bilionários que construíram fortunas através de actividade empresarial destacam-se perfis diversos:

  • Ben Lamm, fundador da Colossal Biosciences (biotecnologia genética)
  • Michael Dorrell, cofundador da Stonepeak Partners (infraestruturas)
  • Irmãos Zhang, proprietários da Mixue Ice Cream and Tea (China)
  • Justin Sun, empreendedor de criptomoedas

A diversificação setorial contrasta com concentrações anteriores em tecnologia ou finanças, sugerindo alargamento das bases de criação de riqueza extrema.

Mobilidade e Estratégia Fiscal

O inquérito do UBS a 87 clientes bilionários revelou que 36% já se relocalizaram pelo menos uma vez e 9% consideram fazê-lo. As três principais motivações citadas são qualidade de vida (36%), preocupações geopolíticas (36%) e optimização fiscal (35%).

A mobilidade crescente reflete internacionalização das fortunas e fragmentação geográfica das famílias. Singapura exemplifica esta tendência: passou de 47 para 55 bilionários em 2025, incluindo dois que se relocalizaram e seis novos residentes, com riqueza total aumentando 66,4% para 258,8 mil milhões de dólares.

Percepções de Risco

O mesmo inquérito captou alteração significativa nas percepções de investimento. A percentagem de bilionários que considera a América do Norte a melhor região para investimento a curto prazo caiu de 81% para 63% em doze meses. Europa Ocidental, Grande China e Ásia-Pacífico registaram recuperação em atratividade.

Entre bilionários asiáticos, tarifas comerciais emergem como principal preocupação. Bilionários americanos dividem-se entre inflação e riscos geopolíticos como ameaças primárias. A disparidade reflecte posições diferentes nas cadeias de valor globais e exposição distinta a tensões internacionais.

O crescimento acelerado e a concentração crescente de riqueza bilionária ocorrem num período de pressão económica sobre classes médias em economias desenvolvidas e persistência de pobreza extrema em regiões menos desenvolvidas.

Enquanto 2.919 indivíduos controlam 15,8 biliões de dólares — equivalente ao PIB combinado de Alemanha, França e Reino Unido — o Banco Mundial estima que 700 milhões de pessoas vivem com menos de 2,15 dólares diários. A divergência aprofunda-se: a riqueza bilionária cresce 13% anualmente enquanto rendimentos medianos estagnam ou crescem a ritmo marginal na maioria das economias OCDE.

O fenómeno não representa apenas desigualdade estática mas dinâmica de concentração acelerada. Cada ciclo de valorização de activos — bolsas, imobiliário, tecnologia — amplifica fortunas existentes desproporcionalmente em relação a rendimentos salariais. A transferência intergeracional cristaliza esta concentração, criando dinastias patrimoniais que acumulam influência política e económica ao longo de décadas.

A metodologia do UBS, baseada em base de dados mantida conjuntamente com a PricewaterhouseCoopers desde 1995, contabiliza dinheiro, títulos, participações empresariais, imobiliário e outros activos tangíveis em 47 mercados globais. O relatório de 2025 cobre o período de doze meses até 4 de Abril, capturando desempenho bolsista antes da turbulência provocada pelas tarifas anunciadas por Donald Trump mas reflectindo recuperação subsequente dos mercados.

Dados alternativos da empresa de inteligência patrimonial Altrata estimam 3.508 bilionários controlando 13,4 biliões de dólares, com aproximadamente um terço nos Estados Unidos. A discrepância metodológica entre fontes não altera a tendência central: concentração de riqueza em aceleração.

A questão deixou de ser se esta concentração é sustentável economicamente — estudos do FMI e OCDE documentam efeitos negativos sobre crescimento quando desigualdade ultrapassa determinados patamares. A questão é se é sustentável politicamente: sociedades democráticas historicamente resistem quando fosso entre elites e população ultrapassa limites de legitimidade percebida.

O relatório do UBS documenta factos. Não oferece juízos normativos. Mas os números falam por si: enquanto riqueza bilionária cresce 13% ao ano, salários reais estagnam, serviços públicos deterioram-se por falta de financiamento e tensões sociais intensificam-se. A transferência de 6,9 biliões de dólares projectada até 2040 consolidará dinastias cujo poder económico rivaliza com Estados soberanos.

Não é apenas estatística. É reconfiguração do equilíbrio de poder nas sociedades contemporâneas.

Autor: Arcana News

DIREITOS DE AUTOR: – Pixabay via Pexels – Licença livre

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