NOTÍCIA · Estados Unidos · Justiça · Transparência
Washington — Um porta-voz do antigo Presidente Bill Clinton apelou esta segunda-feira ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) para que divulgue todos os materiais ainda não tornados públicos que envolvam o ex-chefe de Estado nos ficheiros relacionados com Jeffrey Epstein.
Numa publicação na rede social X, Angel Ureña, chefe-adjunto de gabinete de Clinton, afirmou que, ao abrigo da Lei de Transparência dos Ficheiros Epstein, o DOJ está obrigado a “produzir o registo completo e integral que o público exige e merece”.
O DOJ divulgou na sexta-feira um primeiro conjunto de documentos relacionados com Epstein, incluindo fotografias onde surge Clinton. No entanto, os deputados Ro Khanna (Democrata, Califórnia) e Thomas Massie (Republicano, Kentucky), co-patrocinadores da lei, criticaram o departamento por não ter divulgado a totalidade dos materiais e por ter ocultado nomes nos documentos disponibilizados.
Ureña alinhou com essas críticas, afirmando que o que foi divulgado até agora, bem como a forma como o foi, “deixa claro que alguém ou alguma coisa está a ser protegida”. “Não sabemos quem, o quê ou porquê”, escreveu. “Mas sabemos isto: não precisamos de qualquer protecção desse tipo.”
Entre os documentos divulgados constam várias imagens de Clinton. Numa delas, o antigo presidente surge numa banheira de hidromassagem com uma pessoa cuja identidade foi ocultada; noutra, uma mulher, também não identificada, aparece sentada no seu colo.
Clinton não foi acusado de qualquer crime relacionado com Epstein ou com a alegada rede de tráfico sexual associada ao financista. Na sexta-feira, Ureña afirmou que Clinton esteve entre aqueles que “nada sabiam e cortaram relações com Epstein antes de os seus crimes virem a público”.
Em Agosto, a CNN noticiou que Ghislaine Maxwell, cúmplice de Epstein, foi homenageada num evento da Clinton Global Initiative em 2013, anos depois de ter sido acusada de auxiliar o financista nos seus crimes.
Entretanto, o presidente da Comissão de Supervisão e Reforma Governamental da Câmara dos Representantes, James Comer, defendeu que Clinton e a sua mulher, a antiga secretária de Estado Hillary Clinton, prestem depoimento no âmbito da investigação parlamentar ao caso Epstein. Comer, que em Agosto emitiu intimações aos dois, fixou o prazo de 17 de Dezembro para que respondam formalmente ao Congresso.


