LINHA EDITORIAL: ANÁLISE · Segurança · Médio Oriente · Estreito de Ormuz
A ÁGUA QUE NÃO PERDOA
Em 1988, o USS Samuel B Roberts regressava de uma missão de escolta no Estreito de Ormuz quando uma mina de contacto iraniana explodiu contra o seu casco. O rombo tinha nove pés. Dez marinheiros ficaram feridos. O navio não afundou — mas ficou fora de serviço durante dois anos.
Quase quatro décadas depois, Washington está a calcular se consegue fazer o mesmo sem o mesmo resultado.
O problema não é político. É físico.
Os destroyers da classe Arleigh Burke — os navios que constituem a espinha dorsal de qualquer operação de escolta americana — têm casco simples. Um casco simples absorve um impacto de mina de forma diferente de um casco duplo: não tem a camada de separação que permite ao navio manter-se à tona enquanto o dano é contido. Os petroleiros, que têm casco duplo por razões de segurança comercial, resistem melhor a uma mina do que o navio de guerra enviado para os proteger. Em 1987, foi exactamente isso que aconteceu: o Bridgeton, o gigantesco petroleiro que liderava o primeiro comboio, atingiu uma mina e continuou. Os destroyers de escolta, mais vulneráveis, ficaram atrás dele a usar o petroleiro como draga involuntária.
A ironia operacional não passou despercebida na altura. Não passou despercebida agora.
A ameaça em 2026 é mais complexa do que em 1987. As minas continuam — e o risco maior não está no estreito em si, mas dentro do Golfo, onde podem ser plantadas em águas rasas mais difíceis de vigiar. Mas o Irão acrescentou quatro décadas de desenvolvimento assimétrico ao arsenal de 1988: barcos rápidos armados com mísseis e rockets, drones de superfície e aéreos, mísseis de cruzeiro em instalações costeiras. Cada destroyers tem capacidade anti-submarina, alguma capacidade anti-mina e protecção contra mísseis e drones — mas nenhuma dessas capacidades é absoluta num ambiente onde a ameaça é múltipla, simultânea e deliberadamente desenhada para saturar os sistemas de defesa.
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Na terça-feira, os EUA bombardearam instalações costeiras iranianas com bombas de cinco mil libras, visando especificamente posições com mísseis anti-navio. É uma medida de supressão prévia — tentar reduzir a ameaça antes de a enfrentar. Mas o Irão tem centenas de barcos rápidos, e barcos rápidos não precisam de instalações fixas para operar.
A geometria de uma operação de escolta neste ambiente foi descrita por um antigo almirante americano com precisão desconfortável: dois destroyers, espaçados entre um e dois milhas, a escoltar dois a quatro petroleiros. Um petroleiro lideraria a formação. Os destroyers flanqueariam. Atrás, apoio aéreo — F-18 Hornets ou F-16 Fighting Falcons em patrulha permanente.
É uma formação que funciona contra ameaças convencionais. Contra um enxame de barcos rápidos a operar em coordenação, contra drones lançados simultaneamente de múltiplas direcções, contra minas plantadas na rota nas horas anteriores à passagem — a formação oferece protecção real mas não protecção total. A diferença entre as duas é o que os comandantes estão a calcular quando dizem que as condições não estão reunidas para começar agora.
Um antigo responsável da defesa americana disse que qualquer operação precisaria de garantias de que as capacidades ofensivas do Irão estão “basically attrited or destroyed”. Essa formulação tem um nome operacional: supressão suficiente. E supressão suficiente num teatro com a densidade de ameaça do Golfo Pérsico não é uma condição que se declara — é uma condição que se estima, com margem de erro considerável.
Os EUA têm cerca de 74 destroyers. Apenas um terço está em destacamento global em qualquer momento. Outro terço prepara-se para destacamento nos seis meses seguintes. O restante está em manutenção. Uma operação de escolta sustentada no Estreito de Ormuz consumiria uma fracção significativa da capacidade disponível — num momento em que o Indo-Pacífico, o Mediterrâneo e o Atlântico Norte têm as suas próprias exigências.
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