Ministro nomeia comissão eleitoral para o Conselho Geral da UTAD

Economia

Elian Morvane
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Elian Morvane é autor e cronista do Arcana News, escrevendo atualmente na Revista Arcana News, sem deixar de colaborar também em peças noticiosas e em leituras estratégicas de política, economia e sociedade.

Fernando Alexandre cria Comissão Eleitoral para desbloquear eleições do Conselho Geral da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, após meses de impasse e renúncia do reitor.

Vila Real, 20 de outubro de 2025 — Arcana News


O ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, nomeou uma Comissão Eleitoral com o objetivo de organizar e convocar a eleição do Conselho Geral da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), em Vila Real. A decisão surge no contexto de uma crise institucional sem precedentes na academia transmontana, que se agravou após a renúncia do reitor e a impossibilidade de funcionamento do órgão máximo de governação universitária.

Segundo o comunicado emitido pelo ministério, a situação “compromete o regular funcionamento da instituição e o cumprimento da sua missão de serviço público”, justificando a intervenção excecional da tutela ao abrigo do Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior (RJIES).

A Comissão Eleitoral da UTAD agora constituída será responsável por conduzir o processo de eleição do novo Conselho Geral, devendo concluí-lo no prazo máximo de 60 dias úteis. O despacho ministerial foi já remetido para publicação em Diário da República, tendo sido dado conhecimento à comunidade académica da UTAD.

O grupo é composto por cinco personalidades de reconhecida competência, internas e externas à universidade:

  • Sebastião Feyo de Azevedo, presidente da Assembleia Municipal do Porto (que preside à comissão);
  • Ana Costa Freitas, antiga reitora da Universidade de Évora;
  • Francisco Teodósio Jacinto;
  • João Filipe Coutinho Mendes;
  • Maria João de Carvalho Reis Carneiro.

O Ministério esclarece que a comissão “não poderá praticar atos de gestão corrente, nem intervir na autonomia científica, cultural ou pedagógica da UTAD”, cessando funções logo após a tomada de posse do novo Conselho Geral.

A intervenção do Governo ocorre após meses de bloqueio interno, iniciados com a renúncia do reitor Emídio Gomes, que deixou o cargo para assumir a presidência da Metro do Porto. Desde março, a impossibilidade de recomposição do Conselho Geral impediu a realização das eleições e a designação de um novo reitor, gerando o impasse que agora se procura resolver.

Em 6 de outubro, o ministro já havia nomeado Jorge Ventura, vice-reitor da instituição, como reitor interino, garantindo a continuidade mínima da governação universitária até à reposição da normalidade estatutária.

Com esta decisão, o Governo invoca a responsabilidade de tutela para salvaguardar o interesse público e a estabilidade institucional de uma universidade pública, assegurando a legalidade do processo eleitoral e o cumprimento do princípio de autonomia universitária sob supervisão estatal, conforme previsto no RJIES.

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