Mota-Engil lidera interesse dos “short sellers” no PSI: investidores apostam na queda de cinco cotadas

Economia

Elian Morvane
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Elian Morvane é autor e cronista do Arcana News, escrevendo atualmente na Revista Arcana News, sem deixar de colaborar também em peças noticiosas e em leituras estratégicas de política, economia e sociedade.

Apesar do bom desempenho do índice de Lisboa, fundos especulativos aumentam posições a descoberto em empresas como Mota-Engil, BCP e Galp, movimentando mais de 400 milhões de euros.

A recuperação do PSI, principal índice da bolsa de Lisboa, trouxe entusiasmo aos investidores nacionais e internacionais. Contudo, enquanto muitos apostam na valorização das ações portuguesas, há quem veja nesta fase uma oportunidade para lucrar com o movimento inverso: a queda das cotações.

Atualmente, cinco empresas que integram o PSI estão sob o radar dos chamados short sellers — investidores que tomam posições a descoberto, apostando que o preço das ações vai descer. O valor total destas posições ultrapassa os 400 milhões de euros, mas representa ainda uma fração mínima da capitalização bolsista global do índice, avaliada em cerca de 15,6 mil milhões de euros.

A Mota-Engil surge como a principal “vítima” deste tipo de apostas. Fundos internacionais detêm 1,66% do seu capital em posições curtas, o que equivale a cerca de 30,5 milhões de euros. Entre os que mais acreditam numa correção do título estão a Muddy Waters Capital Domino Master Fund LP e a Marshall Wace LLP, dois dos fundos mais ativos no mercado europeu.

Logo a seguir aparece o Banco Comercial Português (BCP), com 1,5% do capital em posições a descoberto, controladas por entidades como a BlackRock Advisors e a Marshall Wace. O valor em causa aproxima-se dos 170 milhões de euros, refletindo o peso do setor financeiro no mercado português.

A Galp Energia fecha o pódio, com 0,8% do capital sob aposta de desvalorização por parte da Elliott Investment Management LP. O interesse sobre o título tem crescido desde o verão, impulsionado pelas oscilações nos preços da energia e pela volatilidade do mercado petrolífero.

Já a Nos, com 1,19% do capital em posições curtas, e a Altri, com 0,5%, completam o grupo de empresas portuguesas que atualmente atraem a atenção dos investidores mais especulativos.

Apesar de estes valores parecerem elevados, a sua dimensão é residual no contexto global da bolsa portuguesa. Os analistas sublinham que o aumento das posições a descoberto ocorre, muitas vezes, em fases de forte valorização dos índices, funcionando como uma forma de proteção (hedge) ou de simples aproveitamento de movimentos de correção técnica.

Ainda assim, a presença de fundos internacionais tão relevantes demonstra que o mercado português está novamente no radar global. A expectativa é que, com a aproximação da época de divulgação de resultados do terceiro trimestre, estas posições possam ajustar-se rapidamente — para cima ou para baixo — consoante o desempenho das empresas.

Coordenação editorial: Arcana News

  • Empresas com posições curtas ≥ 0,5% do capital: Mota-Engil, BCP, Galp, Nos, Altri
  • Valor total das posições: 400,2 milhões €
  • Capitalização total do PSI: 15.590 milhões €
  • Máximo recente do PSI: 8.340,83 pontos (nível mais alto desde 2010)

🧾Glossário de Mercado

Fonte: Euronext Lisboa, CMVM e dados do mercado compilados pelo Arcana News.

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