Rússia triplica ataques à ferrovia ucraniana e ameaça a logística nacional

Economia

Elian Morvane
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Elian Morvane é autor e cronista do Arcana News, escrevendo atualmente na Revista Arcana News, sem deixar de colaborar também em peças noticiosas e em leituras estratégicas de política, economia e sociedade.

A campanha russa contra a infraestrutura ferroviária da Ucrânia entrou numa nova fase de violência e precisão. De acordo com membros do governo ucraniano, o número de ataques contra o sistema ferroviário triplicou desde o verão, atingindo locomotivas, estações e equipamentos essenciais à circulação de civis, mercadorias e apoio militar.

Oleksii Kuleba, vice-primeiro-ministro responsável pelo setor das infraestruturas, afirmou que os ataques de 2025 já provocaram mais de mil milhões de dólares em danos, atingindo milhares de elementos críticos da rede. Só este ano, contabilizam-se cerca de 800 ofensivas contra a ferrovia, um valor sem precedentes desde o início da invasão.

Rússia intensifica ataques às linhas ferroviárias da Ucrânia e pressiona o sistema logístico do país.

A escalada está ligada ao uso sistemático de drones de precisão, capazes de atingir locomotivas de forma cirúrgica. Várias autoridades ferroviárias confirmam que os ataques deixaram de ter como alvo apenas instalações ou depósitos — agora, os russos procuram neutralizar comboios em movimento e atingir diretamente equipas de condução.

A dimensão do país faz da ferrovia um pilar absolutamente estratégico: mais de 60% das mercadorias internas viajam sobre carris, incluindo exportações agrícolas, enquanto todo o tráfego de passageiros e deslocações diplomáticas dependem dos comboios desde que os aeroportos civis foram encerrados em 2022.

A estação de Lozova, na região de Kharkiv, é um dos casos mais recentes. Um ataque noturno destruiu parte da infraestrutura, danificou plataformas e inutilizou a sala de espera principal. Funcionários no local recordam que havia cinco comboios prontos a partir horas depois. As linhas afetadas servem direções fundamentais para o país: Dnipro, Sloviansk, Poltava e Kharkiv.

Apesar da destruição, o sistema continua a funcionar através de medidas improvisadas de defesa: equipas ferroviárias foram treinadas para operar sistemas antidrone, os comboios passam a circular com equipamentos eletrónicos de neutralização e, sempre que soam sirenes, locomotivas são desviadas para zonas de evacuação.

No terreno, técnicos explicam que as reparações de vias são rápidas, muitas vezes concluídas em menos de 24 horas. O problema maior é a perda de locomotivas e unidades elétricas, mais difíceis de substituir e vulneráveis ao crescente alcance dos drones russos.

Especialistas militares alertam que, se a ofensiva continuar a destruir locomotivas a este ritmo, a Ucrânia poderá enfrentar um cenário paradoxal: linhas funcionais sem material circulante para as operar.

Para Kuleba, os objetivos russos são claros: cortar rotas de exportação no sul, perturbar a mobilidade das regiões próximas da fronteira e desorganizar a logística militar no Donbass. Paralelamente, falsas ameaças de bomba e ataques psicológicos contra comboios internacionais procuram aumentar a pressão sobre um sistema que continua a ser, apesar de tudo, um dos últimos grandes espaços de mobilidade interna do país.

Autor da imagem: Nextvoyage via Pixabay

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