O Presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a defender que Washington deve “ter” a Gronelândia por razões de segurança, numa escalada verbal que levou o secretário de Estado, Marco Rubio, a anunciar contatos com responsáveis dinamarqueses nas próximas semanas.
Gronelândia: o que prevê o acordo de defesa de 1951.
A discussão pública tem sido apresentada como um dilema — comprar, tomar, ou ficar sem instrumentos. Mas, no plano jurídico-militar, os Estados Unidos já dispõem de um enquadramento que lhes dá acesso muito amplo à ilha: o Acordo de Defesa EUA–Dinamarca de 1951, celebrado no contexto do pós-guerra e da consolidação da presença norte-americana no Atlântico Norte e no Ártico.
O acordo prevê que, em áreas definidas, os EUA possam construir, instalar, manter e operar instalações militares e gerir aspectos operacionais ligados à presença e movimentação de meios, incluindo regras sobre aterragens, descolagens e operação de navios e aeronaves.
Hoje, a presença militar norte-americana na Gronelândia concentra-se na base espacial de Pituffik (antiga Thule), no noroeste da ilha, considerada relevante para vigilância e alerta no eixo do Pólo Norte. Ao longo da Guerra Fria, os EUA chegaram a operar múltiplas instalações; com o fim do período de maior tensão, a malha foi reduzida.
Em 2004, o quadro foi actualizado para envolver o governo autónomo da Gronelândia, reforçando a necessidade de consulta em alterações significativas às operações que possam afectar a população local — um ponto sensível num território onde a relação com a presença militar estrangeira tem história e controvérsia.
Do lado político, a liderança gronelandesa tem rejeitado a hipótese de “venda” do território. A Dinamarca, por sua vez, tem sublinhado publicamente que o acordo já dá aos EUA uma latitude considerável, e que a cooperação de defesa existe há décadas.
A tensão à volta da Gronelândia surge num contexto de competição estratégica no Ártico, com Washington a invocar o crescimento da atividade russa e chinesa na região.
Analistas dinamarqueses têm apontado que, se o objetivo for reforçar capacidades militares e vigilância, o mecanismo do acordo existente oferece um caminho direto — desde que seja acionado por via diplomática e operacional.
Imagem: Vesterholm/Pixabay


