Black Hawk só podem aterrar num heliporto hospitalar: promessa de socorro ainda no ar

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O Governo anunciou a compra de quatro helicópteros Black Hawk para missões de evacuação médica e apoio às Forças Armadas. Mas, segundo dados da Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC), apenas um heliporto hospitalar português está preparado para receber aeronaves deste porte — o do Hospital de Braga.

Os quatro helicópteros médios adquiridos pelo Ministério da Defesa, avaliados em 32 milhões de euros, enfrentam limitações operacionais que reduzem o seu uso em evacuações médicas de emergência.

Os aparelhos, com um custo total de 32 milhões de euros, foram apresentados como um reforço estratégico para o sistema nacional de emergência médica. O ministro da Defesa, Nuno Melo, sublinhou que as aeronaves serão usadas “em operações de busca e salvamento, transporte aéreo e apoio humanitário”. Contudo, a sua dimensão — cerca de 19,7 metros — impede a aterragem na maioria dos heliportos hospitalares do país.

Infraestruturas em atraso

Portugal conta com mais de trinta heliportos ligados a hospitais públicos, mas muitos permanecem sem certificação ou condições de segurança. Alguns estão desativados, outros não possuem iluminação para voos noturnos. Apenas o heliporto do Hospital de Braga e uma pista de ultraleves em Pombal cumprem atualmente os requisitos para operações de emergência com aeronaves de grande porte.

A ANAC confirmou que “a limitação resulta da dimensão e do peso dos helicópteros”, e que a maioria das plataformas hospitalares “não foi projetada para receber aparelhos deste tipo”.

Em 2020, o Governo então liderado por António Costa anunciou a “requalificação urgente dos heliportos hospitalares”, identificando doze infraestruturas prioritárias. O projeto foi interrompido pela pandemia e não chegou a ser retomado.

Entre o investimento e a utilidade

Os novos helicópteros foram adquiridos com verbas do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e deverão ser entregues até agosto de 2026. Apesar do investimento elevado, especialistas em emergência médica alertam que a ausência de locais adequados “coloca em causa a eficácia real do programa”.

O Ministério da Defesa defende-se, garantindo que os aparelhos serão “utilizados de forma polivalente” e que “servirão o país em diferentes contextos de proteção civil e defesa”.

Missões em espera

Enquanto se aguardam obras de requalificação, os Black Hawk poderão ser usados para missões militares, transporte de equipas médicas ou apoio em catástrofes. Mesmo assim, o país continua sem uma rede funcional de heliportos hospitalares capaz de assegurar evacuações rápidas entre regiões.

Cinco décadas depois da criação do Serviço Nacional de Saúde, o socorro aéreo português continua dependente de pistas improvisadas e promessas adiadas. O investimento chegou; o terreno, porém, ainda não está pronto para o receber.

📷 Imagem: by jorono / via Pixabay — utilização livre para fins editoriais, sob licença Pixabay License


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