Solverde e Estoril-Sol enfrentam novos concorrentes estrangeiros nas concessões de Espinho, Algarve e Póvoa de Varzim.
Concorrência inédita pode atrasar decisão final para 2026
O processo de concessão dos casinos em Portugal atraiu este ano um leque inesperado de candidatos internacionais, colocando pressão sobre os históricos operadores nacionais Solverde e Estoril-Sol. Em disputa estão as concessões de Espinho, Algarve (Vilamoura, Portimão e Montegordo) e Póvoa de Varzim.
Entre os novos interessados encontram-se os franceses do grupo Barrière, que já operam casinos e hotéis em vários mercados internacionais, e os espanhóis da Cirsa, detida pela norte-americana Blackstone, que recentemente recebeu autorização da Autoridade da Concorrência para a fusão com a Sociedade Figueira Praia, responsável pelo Casino da Figueira da Foz. A Cirsa está particularmente atenta ao Algarve. A Comar, outro grupo espanhol ligado ao turismo e ao lazer, também manifestou interesse na mesma região.
Esta entrada em força de operadores estrangeiros é considerada inédita no setor português, sobretudo no Algarve, até agora visto como um território de vantagem para a família Violas, proprietária da Solverde. A eventual atribuição de concessões a concorrentes internacionais poderá obrigar a construção rápida de novas unidades, uma exigência que pode dificultar o cumprimento dos prazos definidos no caderno de encargos.
Os atuais operadores nacionais mantiveram a sua aposta: a Solverde reforçou a candidatura para Espinho e para os casinos algarvios, enquanto a Estoril-Sol avançou para a concessão da Póvoa de Varzim.
Apesar do dinamismo das candidaturas, a decisão final pode escorregar para 2026. O calendário do concurso inclui várias fases: relatórios preliminares, prazos para resposta das empresas, avaliação pela tutela e eventual análise de recursos. O Ministério da Economia, responsável pelo processo através do Turismo de Portugal, admitiu não poder antecipar datas, sublinhando que a tramitação segue as normas do Código dos Contratos Públicos.
Em 2023, a Estoril-Sol assegurou a continuidade das concessões de Lisboa e Estoril até 2037, afastando a espanhola Bidluck, que apesar de ter apresentado uma proposta financeira mais elevada, acabou excluída por questões formais.
O resultado deste novo concurso promete redesenhar o mapa do jogo em Portugal, num setor que combina impacto económico, turismo e forte regulação. Até ao momento, o Governo mantém silêncio sobre a lista oficial de candidatos.


