Banca portuguesa reforça lucros, mas admite travagem nas margens e aumento de custos

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Os cinco maiores bancos a operar em Portugal encerraram o terceiro trimestre de 2025 com lucros conjuntos superiores a 3,8 mil milhões de euros. Apesar do abrandamento da margem financeira provocado pela política de taxas mais baixas do Banco Central Europeu, o setor conseguiu preservar uma rentabilidade elevada e estabilizar a sua posição de capital.

A Caixa Geral de Depósitos manteve-se como a instituição mais lucrativa, com um resultado líquido de 1,4 mil milhões de euros nos primeiros nove meses do ano. O banco público destacou a solidez da sua operação doméstica — responsável por mais de 90% dos ganhos — e sublinhou que, entre 2024 e 2025, já entregou ao Estado mais de 1,5 mil milhões de euros em IRC, prevendo ainda um reforço de 200 milhões até ao final do exercício.

No setor privado, o BCP apresentou um resultado de 775,9 milhões de euros, impulsionado pela recuperação do crédito em Portugal e pela redução das imparidades. O seu presidente, Miguel Maya, admitiu que os últimos meses foram “desafiantes”, mas garantiu que o banco “mantém uma trajetória positiva e disciplinada”.

O Santander Totta registou lucros de 782 milhões de euros, uma variação em linha com o exercício anterior. A instituição salientou o impacto direto da redução das taxas de juro sobre a sua margem, compensada parcialmente pelo crescimento da carteira de clientes e pela gestão prudente dos custos.

O Novobanco apresentou um lucro de 610,5 milhões de euros, ligeiramente abaixo do de 2024, mas classificou o desempenho como “robusto e consistente com o plano estratégico”. A instituição, em processo de venda ao grupo francês BPCE, reiterou que a transação deverá estar concluída na primeira metade de 2026, após aprovação dos reguladores europeus.

Já o BPI registou lucros de 389 milhões de euros, penalizado pela descida da margem financeira e pelo recuo das comissões. Mesmo assim, o banco destacou o crescimento da carteira de crédito e o reforço dos depósitos, sublinhando o contributo da economia portuguesa para os resultados do grupo.

Por sua vez, o Montepio somou 86,4 milhões de euros até setembro, um aumento superior a 10% face ao período homólogo. O banco cooperativo destacou o equilíbrio entre rendimentos de títulos, comissões e custos operacionais, sublinhando que o ambiente de taxas mais baixas “favorece o cliente, mas exige uma gestão prudente do risco”.

No conjunto, a banca portuguesa demonstra estar a entrar num novo ciclo: menos lucros extraordinários, mais contenção nos custos e maior pressão competitiva. Ainda assim, mantém-se um setor sólido, com rácios de capital elevados e com uma contribuição fiscal que ultrapassa, pela primeira vez, os 2 mil milhões de euros no ano.

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