Moedas fala em aumento de 60 % das violações — mas Martim Moniz foi só um exemplo

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Declaração do presidente da Câmara de Lisboa gerou polémica. Dados oficiais desmentem concentração de casos no Martim Moniz.

Declaração televisiva e números que não batem certo.

Durante uma entrevista televisiva, Carlos Moedas afirmou que as violações em Lisboa “aumentaram exponencialmente, 60 %”, citando o Martim Moniz como exemplo do perigo sentido pelas mulheres. No entanto, a estatística usada não se refere à praça, mas sim à 1.ª Divisão Policial da PSP, que inclui também zonas como o Rato, Arroios, Avenida da Liberdade e Bairro Alto.

Questionado sobre a origem do número, o gabinete do autarca esclareceu depois que a referência correspondia ao acréscimo de seis queixas de violação — de 9 para 15 — registadas entre 2023 e 2024 nessa divisão, um aumento percentual de 67 %.


Os dados reais da cidade

Segundo as Estatísticas da Justiça, no conjunto da cidade de Lisboa houve 55 queixas de violação em 2024, mais 12 % do que em 2023. Já a Polícia Judiciária (PJ) contabilizou 75 denúncias no mesmo período, um crescimento de 17 %.

Contudo, a PJ sublinha que não há relação entre o aumento de participações e o Martim Moniz, nem com zonas de maior presença imigrante. A maioria dos casos continua associada a episódios noturnos e a situações com uso de substâncias químicas nas bebidas das vítimas.


Martim Moniz como metáfora, não como foco

O gabinete do presidente esclareceu mais tarde que o Martim Moniz foi referido apenas “a título de exemplo”. Apesar disso, a utilização do nome de um bairro central e multicultural provocou alarmismo público e interpretações políticas.

Especialistas em estatística criminal alertam que percentagens em universos pequenos (como 9 ou 15 casos) não devem ser usadas para inferir tendências, pois pequenas variações anuais produzem grandes saltos percentuais.


A cidade segura e a comunicação responsável

Lisboa continua a ser uma das capitais europeias mais seguras, embora os crimes sexuais mereçam vigilância constante. As autoridades reforçam campanhas de prevenção e investigam novos métodos de ataque, como o uso de drogas incapacitantes.

No debate público, permanece o desafio de comunicar com rigor estatístico e responsabilidade social, sobretudo quando se trata da violência contra mulheres — um tema que exige cuidado, dados verificados e empatia.

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