NOTÍCIA
A agência Moody’s subiu na sexta-feira a notação financeira de Itália de Baa3 para Baa2, retirando o país do limite inferior da chamada “grau de investimento”. A perspetiva foi revista para estável, num sinal de confiança na capacidade italiana para estabilizar e, a médio prazo, reduzir o peso da dívida pública.
A decisão baseia-se na expectativa de que o rácio da dívida comece a descer a partir de 2027, impulsionado pelas reformas económicas e fiscais integradas no Plano Nacional de Recuperação e Resiliência (PNRR). A agência considera também que o Governo italiano mantém o compromisso de prolongar investimentos públicos significativos mesmo depois do fim do programa europeu, que termina em agosto de 2026.
Segundo a Moody’s, o prolongamento deste esforço financeiro — sobretudo em infraestruturas, competitividade e digitalização — reforçará o perfil de crédito do país e criará condições mais favoráveis ao crescimento económico. A agência destaca ainda dois elementos estruturais que sustentam a estabilidade da economia italiana: um setor bancário hoje mais sólido do que há uma década e balanços privados relativamente robustos.
No cenário apresentado, a dívida pública italiana deverá reduzir-se de cerca de 137% do PIB em 2025 para “um pouco acima de 130%” em 2034. A agência alerta, contudo, que esta trajetória depende de dois fatores críticos: crescimento económico consistente e saldos orçamentais primários positivos ao longo de vários anos.
A revisão para perspetiva estável incorpora também os progressos feitos em matérias de eficiência do setor público e simplificação administrativa — áreas que, segundo a Moody’s, podem melhorar o ambiente de negócios e, com isso, a capacidade de Itália gerar crescimento estruturado.
Mas a agência não ignora os riscos. Recorda que a economia italiana continua vulnerável a choques externos, que a dívida permanece uma das mais elevadas da zona euro e que qualquer desaceleração económica pode travar rapidamente o caminho de redução do rácio da dívida. Acresce o desafio político: manter disciplina orçamental ao longo de vários ciclos governativos.
Ainda assim, o upgrade representa um alívio para Roma e para os mercados. A mudança para Baa2 afasta Itália da fronteira do “junk” e reduz o risco de tensões financeiras na zona euro — um tema sensível num contexto de juros ainda elevados e divergências económicas entre Estados-membros.
Para os investidores, a mensagem é clara: Itália continua frágil, mas está no caminho certo. Para o Governo italiano, o sinal é duplo: há reconhecimento dos progressos feitos, mas também um aviso de que qualquer desvio — seja em reformas, seja em consolidação orçamental — pode rapidamente inverter o sentido da avaliação.
Foto: Anton Cherednichenko / Pexels


