ANÁLISE · Mundo · Poder Político.
A sala não estava cheia. Nunca está, na verdade. Àquela hora da manhã, o tribunal funcionava com a compostura discreta de quem sabe que quase ninguém está a olhar. Um juiz folheava um dossiê grosso, sublinhado a lápis; outro escutava em silêncio, com a caneta pousada na margem da mesa; os advogados ajustavam frases que já tinham sido ditas demasiadas vezes.
Quando as decisões avançam mais depressa do que a deliberação, a democracia começa a funcionar em atraso.
Em causa estava uma lei aprovada meses antes, aplicada desde então, com efeitos visíveis, mensuráveis, difíceis de reverter. O objeto da audiência era simples de formular e complexo de resolver: decidir se algo que já tinha acontecido podia, afinal, não ter acontecido.
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