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O Papa Leão XIV iniciou esta quinta-feira a primeira deslocação internacional do seu pontificado, escolhendo a Turquia como ponto de partida para uma visita centrada no diálogo inter-religioso e na aproximação entre tradições cristãs.
Papa inicia primeira viagem internacional com apelos ao diálogo em Ancara.
À chegada, foi recebido pelo Presidente Recep Tayyip Erdogan, num encontro marcado por referências à necessidade de cooperação em tempos de tensão global.
Durante a passagem por Ancara, o Papa discursou na Biblioteca Nacional, sublinhando que as divisões geopolíticas e económicas têm distraído a comunidade internacional de prioridades essenciais como a paz, a luta contra a pobreza, o acesso à saúde e à educação e a proteção ambiental. Sem identificar países, alertou para “níveis elevados de conflito” que, disse, corroem a capacidade de resposta conjunta.
Leão XIV criticou ainda modelos económicos baseados no consumismo e lamentou a tendência para relações sociais cada vez mais distantes. Reforçou que o desafio contemporâneo passa por construir “uma cultura da proximidade e do cuidado”, capaz de contrariar a solidão crescente. O Papa voltou igualmente a manifestar preocupação com o uso de tecnologias avançadas, incluindo inteligência artificial, defendendo que os riscos não nascem das máquinas, mas das escolhas humanas.
Erdogan elogiou o empenho do pontífice na defesa de soluções diplomáticas, incluindo no conflito da Ucrânia, e destacou a convivência de diferentes tradições religiosas em cidades turcas. O Presidente não abordou, contudo, a diminuição histórica da comunidade grega ortodoxa no país nem as decisões governamentais que converteram antigos templos cristãos em espaços de culto muçulmano.
A visita prolonga-se até domingo, com encontros previstos com líderes católicos e responsáveis de outras confissões cristãs, incluindo o Patriarca Ecuménico Bartolomeu I. A viagem prossegue depois para o Líbano, onde o Papa se encontrará com autoridades políticas e religiosas num contexto marcado por tensões fronteiriças e por uma trégua frágil entre Israel e forças libanesas.
A escolha da Turquia para o início do pontificado fora considerada significativa por responsáveis do Vaticano, que a interpretam como um gesto simultâneo de reconhecimento histórico e abertura ao diálogo com o mundo muçulmano.
Créditos da imagem: Leonhard Niederwimmer, via Pixabay.


