Personalidades judaicas apelam à ONU para sancionar Israel pelas ações em Gaza

Economia

Elian Morvane
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Elian Morvane é autor e cronista do Arcana News, escrevendo atualmente na Revista Arcana News, sem deixar de colaborar também em peças noticiosas e em leituras estratégicas de política, economia e sociedade.

Personalidades judaicas pedem sanções a Israel na ONU

Mais de quatro centenas e meia de personalidades com origem judaica subscreveram uma carta aberta dirigida às Nações Unidas e aos chefes de governo, pedindo sanções imediatas contra Israel. Entre os signatários estão o ex-presidente do parlamento israelita, Avraham Burg, a escritora e ativista Naomi Klein e o ator e dramaturgo Wallace Shawn.

O documento, publicado por vários meios internacionais, denuncia que as operações militares em Gaza e na Cisjordânia correspondem “à definição legal de genocídio” e que o país tem vindo a violar as convenções internacionais criadas no rescaldo do Holocausto.

“Não esquecemos que muitas das leis e convenções destinadas a proteger a vida humana nasceram da dor judaica. É insuportável vê-las agora violadas por Israel”, lê-se no texto.


Uma carta de ruptura e de consciência histórica

A carta reúne 460 assinaturas de antigos diplomatas, intelectuais, artistas e ex-membros das forças armadas israelitas. Entre os nomes constam também o realizador Jonathan Glazer, o poeta Michael Rosen, a atriz Hannah Einbinder e o escritor Benjamin Moser.

Os signatários pedem aos governos que suspendam a venda de armas a Israel, cumpram as decisões do Tribunal Internacional de Justiça e garantam o acesso humanitário a Gaza. Pedem ainda que os países rompam com qualquer “cumplicidade silenciosa” nas violações do direito internacional.

“A nossa solidariedade com o povo palestiniano não é uma negação do judaísmo, é a sua expressão mais profunda”, afirmam.
“Quando nos ensinaram que destruir uma vida é destruir um mundo inteiro, não nos disseram que havia exceções.”


Denúncia da violência e do bloqueio humanitário

Os autores da carta alertam que, apesar do cessar-fogo anunciado, a violência continua na Cisjordânia e os colonos mantêm ataques contra comunidades palestinianas, sem que o acordo de paz mencione medidas concretas para essa região.

O grupo cita também os números do Ministério da Saúde de Gaza, que apontam para mais de 65 mil mortos e 167 mil feridos desde outubro de 2023, sublinhando que a ONU admite que o número real “é muito superior”.

Na quarta-feira, o Tribunal Internacional de Justiça reafirmou que Israel tem a obrigação de permitir a entrada de ajuda humanitária e de não usar a fome como método de guerra. O juiz-presidente Yuji Iwasawa recordou que “cabe à potência ocupante assegurar a sobrevivência da população civil”.


“O cessar-fogo não pode ser o fim da consciência”

Os signatários terminam a carta com uma exigência moral: que o cessar-fogo atual se transforme numa solução política definitiva.

“Não descansaremos enquanto a ocupação e o apartheid não forem abolidos. A paz só existirá quando o direito à vida for igual para todos.”

Para muitos dos que assinam o documento, a denúncia não é apenas política, mas também espiritual — um apelo a recuperar o sentido ético que o sofrimento do povo judeu deveria ter ensinado ao mundo.

Redação Arcana News — com agências internacionais

Crédito imagem: ONU / Pixabay (livre de direitos)

Este artigo compila informação de agências e fontes internacionais, editada pela redação do Arcana News.

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