Seguro pede “um tempo novo” para a democracia

Economia

Elian Morvane
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Elian Morvane é autor e cronista do Arcana News, escrevendo atualmente na Revista Arcana News, sem deixar de colaborar também em peças noticiosas e em leituras estratégicas de política, economia e sociedade.

António José Seguro assume candidatura a Belém e apela a “um tempo novo” para a democracia portuguesa.

O antigo líder socialista apresentou-se este sábado, em Aveiro, como candidato à Presidência da República, defendendo a necessidade de proteger a democracia num momento de polarização e perda de confiança nas instituições. Perante centenas de apoiantes reunidos na Convenção pela Democracia, António José Seguro afirmou que o país “entrou num impasse” e que é urgente “renovar a ética pública e reconstruir a confiança cívica”.

Em Aveiro, o antigo líder socialista defendeu estabilidade, ética pública e proximidade aos cidadãos.

Na intervenção mais programática desde que iniciou contactos para avançar para Belém, Seguro sublinhou que a sua candidatura “não é partidária”, apresentando-se como “um movimento cívico aberto a todos os democratas e humanistas”. O antigo secretário-geral do PS disse estar preparado para exercer um mandato “exigente, estável e independente”, frisando que pretende ser “Presidente de todos os portugueses, e não metade contra a outra metade”.

Democracia “em risco de erosão”

Seguro descreveu o atual contexto político como “exigente e frágil”, marcado por desinformação, antagonismos amplificados pelas redes sociais e uma crescente sensação de afastamento entre cidadãos e governantes. “Cuidar da democracia tornou-se uma tarefa urgente”, afirmou, alertando para a “erosão da confiança pública”, para o “crescimento de discursos simplistas” e para “uma política que se habituou à teatralização e ao curto prazo”.

O candidato defendeu a necessidade de “reforçar a transparência, a responsabilização e a ética na vida pública”, e prometeu que esses princípios serão centrais em todas as decisões presidenciais, incluindo nomeações. “A ética que coloquei sempre na minha vida entrará comigo em Belém”, garantiu.

“Não contem comigo para manter o pântano”

Numa crítica implícita ao funcionamento recente da política nacional, António José Seguro rejeitou ser “um Presidente de gestão do dia a dia”. Disse que o país “não pode continuar com governos de ano e meio”, recusou a ideia de dissoluções automáticas e afirmou que a estabilidade “é condição para que Portugal avance”.

“Se querem manter o pântano em que se tornou a nossa vida política, votem noutros candidatos”, afirmou. “Eu venho para mudar o que está mal e fortalecer o que está bem. Basta de palavras—chegou o tempo de agir.”

Proximidade, desenvolvimento e juventude no centro da agenda

Seguro anunciou que, caso seja eleito, pretende recuperar as “presidências abertas”, passando “uma semana por mês” nos diferentes distritos e regiões do país. A criação de oportunidades para os mais jovens, a defesa dos serviços públicos e a valorização da cultura, ciência e educação serão, disse, prioridades permanentes.

O candidato apresentou também a ideia de um “Pacto para a Prosperidade”, que pretende envolver partidos, parceiros sociais, universidades e sociedade civil em torno de prioridades de longo prazo como habitação, inovação, demografia e competitividade económica.

Experiência europeia como “diferença determinante”

António José Seguro defendeu que o seu percurso nacional e europeu o coloca “melhor preparado” do que os restantes candidatos para exercer as funções presidenciais. Reafirmou o compromisso com a União Europeia, com o multilateralismo e com a defesa dos direitos humanos, criticando nacionalismos que “não oferecem respostas a problemas globais”.

“Um movimento de esperança”

A intervenção terminou com um apelo direto à mobilização cívica. “A democracia não é um espetáculo para ver da bancada; é uma responsabilidade que se assume”, disse. Seguro convidou os apoiantes a “sair do sofá”, lembrando que “Portugal merece o melhor de nós”.

“Eu sou um de vós. Sou um de nós. Em Belém serei a vossa voz. Vamos construir um futuro seguro”, concluiu.

Imagem: – SIC / Reprodução autorizada

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