O Presidente norte-americano revelou que o cessar-fogo e a troca inicial de reféns fazem parte da primeira etapa de um acordo mais amplo que pretende encerrar o conflito na Faixa de Gaza.
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou esta quarta-feira que Israel e o Hamas assinaram a primeira fase de um plano de paz para Gaza, depois de meses de negociações secretas mediadas por Washington e outros aliados regionais.
Segundo Trump, a fase inicial inclui um cessar-fogo imediato, a libertação parcial de reféns israelitas e prisioneiros palestinianos, e a retirada controlada das tropas israelitas de partes da Faixa de Gaza.
“Eles assinaram a primeira fase do plano”, declarou o Presidente norte-americano nas suas redes sociais, acrescentando que o objetivo é alcançar uma “paz forte, duradoura e estável para israelitas e palestinianos”.
Antes do anúncio oficial, o canal libanês Al-Mayadeen, próximo do Hezbollah, havia avançado a existência de um acordo para o cessar-fogo, descrevendo-o como “iminente” e dependente apenas da confirmação pública dos líderes envolvidos.
Fontes citadas pela Associated Press e pela Reuters confirmam que o entendimento foi alcançado após uma série de reuniões indiretas entre delegações israelitas e representantes do Hamas, com mediação do Egito, do Qatar e dos Estados Unidos.
De acordo com estas agências, o plano prevê ainda uma segunda fase, com discussões sobre a reconstrução de Gaza, o estatuto político do território e garantias internacionais de segurança.
Apesar do tom triunfal de Trump, diversos pontos críticos permanecem em aberto — nomeadamente a verificação do número de reféns ainda vivos, o controlo da fronteira com o Egito e o eventual desarmamento parcial do Hamas.
Diplomatas envolvidos nas conversações alertam que qualquer colapso na implementação desta primeira fase poderá comprometer o processo mais amplo de paz.
Segundo o Al-Mayadeen, o Hamas já terá enviado a Israel uma lista de reféns a libertar em troca de prisioneiros palestinianos detidos em operações desde outubro do ano passado.
Do lado israelita, a comunicação oficial tem sido prudente: o gabinete do primeiro-ministro Benny Gantz confirmou apenas que “foram feitos progressos significativos” e que “o país permanece comprometido com a segurança e a defesa do seu povo”.
Trump, que se prepara para disputar nova reeleição, classificou o acordo como “um passo histórico”, descrevendo-o como “o início do fim da violência no Médio Oriente”.
Fontes próximas da administração norte-americana admitem, no entanto, que a credibilidade do anúncio dependerá dos próximos dias, em particular do cumprimento efetivo do cessar-fogo e da abertura dos corredores humanitários em Gaza.
A comunidade internacional reagiu com cauteloso otimismo.
A União Europeia saudou o anúncio “como uma oportunidade que não deve ser desperdiçada”, enquanto a ONU apelou a “todas as partes para que demonstrem contenção e implementem as medidas acordadas com rapidez e boa-fé”.


