Há países que disputam fronteiras. Outros disputam ideias.
A China, nos últimos anos, disputa algo mais profundo: o próprio tempo.
E não é metáfora — é política de Estado, investimento estratégico, obsessão cultural e, acima de tudo, um mercado sem fundo.
O país que quer derrotar o tempo.
Enquanto no Ocidente discutimos a idade da reforma, nalguns laboratórios chineses fala-se abertamente de viver 120 anos, talvez 150.
A longevidade deixou de ser literatura mística e transformou-se numa indústria. Não começou agora — a China carrega há séculos esse desejo, desde que o primeiro imperador mandou procurar poções para vencer a morte e acabou envenenado pelos seus próprios medicamentos. Mas desta vez há tecnologia, dinheiro, ambição e uma narrativa nacional que encaixa perfeitamente no sonho: um país que não quer apenas crescer — quer durar.
A conversa captada recentemente entre Xi Jinping e Vladimir Putin, onde ambos brincaram com a hipótese de viver muito para lá do que é biologicamente razoável, não foi apenas folclore político. Foi a ponta visível de algo mais vasto: a convicção de que o futuro pertence a quem conseguir esticar o tempo.
Mas a verdadeira história não se passa nas cimeiras nem nos palcos oficiais.
Passa-se em Shenzhen, Xangai, Pequim — em laboratórios instalados em arranha-céus, em conferências onde se vendem cápsulas antioxidantes ao lado de máquinas criogénicas que parecem saídas de um filme, em empresas que prometem limpar o corpo de “células envelhecidas” como quem varre uma sala.
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