A aliança que funciona e já não existe

A distinção importa porque determina o que vem a seguir.

Economia

Elian Morvane
Elian Morvanehttps://www.arcananews.com/
Elian Morvane é autor e cronista do Arcana News, escrevendo atualmente na Revista Arcana News, sem deixar de colaborar também em peças noticiosas e em leituras estratégicas de política, economia e sociedade.

Geopolítica e Poder · Europa/NATO · Transatlântico


Os líderes europeus aplaudiram Marco Rubio, tranquilizaram-se mutuamente e regressaram às capitais com uma certeza que nenhum formulou em público: o quadro que organizou a segurança ocidental desde 1949 deixou de ser percebido como garantido. Não foi declarado morto. Foi substituído por algo sem nome ainda.

A distinção importa porque determina o que vem a seguir.

A aliança que funciona e já não existe.


I. O que Rubio disse — e o que não disse

O tom de Rubio foi recebido com alívio genuíno. Depois de um ano de ataques, a ausência de hostilidade aberta pareceu, a muitos europeus, um gesto de aproximação. É uma medida do quanto a fasquia baixou.

O secretário de Estado não falou de valores partilhados. Não falou de democracia como fundamento da aliança. Falou de “fé cristã, herança, ancestralidade e sacrifícios dos antepassados” — uma gramática identitária que o movimento MAGA reconhece e que os arquitectos da ordem pós-guerra teriam achado estranha no contexto de uma conferência de segurança atlântica. A aliança foi fundada sobre interesses e valores. Rubio falou de interesses e identidade civilizacional. São coisas diferentes.

Também não falou da Rússia com qualquer substância. Nem da Ucrânia. Saiu de Munique em direcção a Budapeste e Bratislava — as duas capitais europeias mais alinhadas com Moscovo. O simbolismo do itinerário não passou despercebido.

O contexto mais amplo ajuda a compreender a lógica. A administração Trump reorientou as prioridades estratégicas americanas para o hemisfério ocidental e para o Indo-Pacífico — onde a competição com a China define a agenda de segurança para as próximas décadas.

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O Atlântico deixou de ser o eixo central da política externa americana. A Europa é, nesse enquadramento, uma região secundária com exigências de recursos que Washington prefere redirigir.


II. A autonomia que ninguém quer pagar mas toda a gente precisa

O paradoxo central de Munique foi este: os europeus estão a aumentar os orçamentos de defesa para níveis não vistos desde a Guerra Fria — cumprindo, ironicamente, uma exigência americana de longa data.

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