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A Europa aumentou a despesa militar para níveis históricos, mas continua dependente dos Estados Unidos em capacidades decisivas. A mobilidade, o comando, a vigilância e o reabastecimento ainda limitam a autonomia militar europeia.
Sem a Marinha dos Estados Unidos, a defesa do Atlântico Norte dependeria de uma força liderada pelo Reino Unido, pela Noruega e pela França. Os aliados poderiam vigiar as saídas do Ártico e proteger setores prioritários, mas teriam menos meios para sustentar várias operações ao mesmo tempo?
A empresa ucraniana Fire Point já produz os seus próprios intercetores, com a ambição de servir de base a um escudo antimíssil pan-europeu. Estónia, Coreia do Sul e Alemanha seguem, em paralelo, os seus próprios caminhos — nenhum ainda comparável ao Patriot.
A Europa possui satélites militares avançados, centros de análise e meios coletivos de vigilância. A vulnerabilidade surge quando dados controlados por vários Estados têm de ser combinados e enviados ao comando antes de perderem valor operacional.
A Europa dispõe de vários sistemas nacionais de comunicações militares por satélite. A NATO e a União Europeia permitem distribuir parte dessa capacidade, mas o acesso depende dos países que controlam os satélites, dos terminais disponíveis e das prioridades definidas durante cada operação.
A saída de Vladimir Putin não eliminaria as estruturas políticas, militares e económicas criadas durante o seu regime. Um sucessor poderia procurar a Europa sem abandonar os instrumentos de pressão sobre os países vizinhos.
Os Estados Unidos já financiam e defendem três pequenos países do Pacífico através de acordos de livre associação. O mesmo modelo poderia ser aplicado à Gronelândia, mas os seus dirigentes não pediram negociações e mantêm a ligação à Dinamarca.
A Europa conservaria exércitos, marinhas, aviação e duas forças nucleares sem os Estados Unidos. O problema seria substituir o comando, a inteligência, a logística e a garantia política que hoje transformam forças nacionais numa defesa coletiva.
Um mapa plano faz a Gronelândia parecer enorme e distante. Medida com precisão, e vista num globo, a ilha está mesmo no centro do território da NATO — e a meio da rota mais curta entre Moscovo e Washington.
À margem de um seminário sobre os Açores, o ministro da Defesa falou de duas frentes distintas: o projeto dos satélites Portugal-Espanha, onde o foco está confirmado, e uma possível missão no Estreito de Ormuz, condicionada a um cessar-fogo que ainda não existe.