Lançada em julho, a Europe Posture Review ainda não decidiu nada. Tem um número a circular em Washington. Cerca de 40.000 militares americanos na Europa, num plano de Jennifer Kavanagh e Justin Logan. Hoje são cerca de 80.000.
Chegar aos 40.000 implica tirar a brigada de combate em rotação na Polónia e o 2.º Regimento de Cavalaria na Alemanha. Sete esquadrões de caças com presença permanente passariam a quatro. Em Rota, três dos seis contratorpedeiros.

Ficaria apoio de combate, defesa aérea e a componente nuclear. Não é uma saída americana da Europa. É outra forma de dividir o que os Estados Unidos fazem dentro da aliança.
Em 2021, a administração Biden dava o dispositivo existente como adequado. Depois da invasão da Ucrânia, levou-o para cerca de 100.000, com sete esquadrões de caças, seis contratorpedeiros e cerca de uma centena de bombas nucleares de gravidade. Foi isso que Trump encontrou.

Desde então quase nada mudou. Saíram cerca de 800 dos 1.700 militares na Roménia, foi anunciado um corte de 5.000 no continente, reduziram-se contributos para o force model da NATO e cancelou-se o envio para a Alemanha de mísseis de longo alcance previstos por Biden. O patamar continua perto dos 80.000.
O Pentágono está vinculado à NDAA de 2026, que fixou mínimos de presença na Europa. Um corte profundo tem de passar no Congresso. O calendário que Kavanagh e Logan propõem também pesa: reduções em 2027 e 2028, já fora do mandato atual.
Passa a ser preciso mais do que uma decisão de uma administração. É preciso que o Congresso aceite e que a seguinte mantenha o rumo. A revisão pode desenhar o plano, não garante o percurso político.
Do outro lado, os europeus da NATO têm no conjunto cerca de 1.700 aviões de combate, mais do que a frota russa. A Polónia gasta em 2026 quase 300% mais do que em 2016. A despesa subiu, mas não responde por si só ao que o plano pede.

Os bálticos estão no topo das tabelas em percentagem do PIB. São economias pequenas. A mesma percentagem numa base pequena produz uma capacidade diferente da mesma percentagem numa economia grande. O peso que Kavanagh e Logan colocam está em Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Espanha. Não basta gastar mais. É preciso saber onde e em que tipo de capacidade.
Há ainda outra tensão. Washington pede mais responsabilidade europeia e ao mesmo tempo pressiona para que parte desse aumento vá para armamento fabricado nos Estados Unidos. Transferir responsabilidade não é o mesmo que transferir capacidade industrial ou autonomia. A matéria disponível não permite afirmar que essa pressão impeça a Europa de desenvolver os meios necessários. Permite observar que as duas exigências coexistem.
O Irão entrou na conta.
Desde o ataque americano no final de fevereiro, os Estados Unidos consumiram uma parcela relevante de stocks de intercetores e mísseis de longo alcance. O pedido orçamental do Pentágono para o ano seguinte, de 1,5 biliões de dólares, reflete em parte essa pressão. Kavanagh e Logan usam esse argumento para defender menos Europa: um dispositivo menor dificultaria repetir operações como a guerra em curso no Irão, para a qual o território europeu serviu como plataforma de lançamento. Os meios não são ilimitados nem afectos a um só teatro. Reduzir na Europa pode libertar recursos, mas transfere funções hoje asseguradas por meios americanos.
Desde a fundação da aliança, os Estados Unidos ocupam o principal cargo de comando militar e formam o núcleo da presença ocidental no continente. Foram mais de 400.000 na Guerra Fria e nunca menos de 60.000 depois da União Soviética. É a primeira vez que surge um patamar de 40.000.
A Polónia está exposta por estar na frente leste e é dos países que mais aumentou despesa. Os autores lembram o Japão nos anos 1980, quando aumentou despesa enquanto Washington recusava reforçar presença naval no Pacífico. Nos 15 anos seguintes, essa despesa quase duplicou em percentagem do PIB. Mostra que uma retração americana pode provocar reação aliada. Não mostra que a Europa consiga reproduzir as capacidades americanas.
A Europe Posture Review continua em curso. Não há calendário público, a presença segue perto dos 80.000. O plano para metade está em cima da mesa, mas depende de uma decisão política que o Pentágono não controla sozinho e de uma resposta europeia que ainda está por demonstrar.
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