Grande Oriente Lusitano (GOL), a mais antiga obediência maçónica portuguesa, atravessa uma das maiores crises da sua história recente, depois de ter aprovado a entrada de mulheres nas suas lojas.
Admissão de mulheres gera cisão
Segundo informações recolhidas, cerca de 40 maçons da Loja União Portucalense, em Vila Nova de Gaia, apresentaram este mês os documentos de saída em protesto contra a medida. Outras lojas, em diferentes regiões do país, debatem internamente se devem ou não manter-se no GOL.
A decisão de abrir a obediência às chamadas “irmãs” foi aprovada em maio, após revisão da constituição do GOL, promulgada em junho pelo grão-mestre Fernando Cabecinha. Para acelerar o processo, foi entretanto emitido um decreto que permite a cada loja escolher se permanece exclusivamente masculina ou se passa a ser mista.
O tema tem provocado divisões profundas. Para uns, representa uma evolução histórica e uma adaptação à realidade contemporânea; para outros, significa romper com a tradição. A contestação já levou alguns membros a ponderar a adesão à Grande Loja Legal de Portugal (GLLP), obediência rival com maior número de membros ativos, embora não haja confirmações oficiais de processos de integração coletiva.
O GOL conta atualmente com 2.400 maçons distribuídos por 103 lojas.
A GLLP, por sua vez, reúne cerca de 3.800 membros em 180 lojas.
Este fim de semana, várias obediências realizam encontros em Lisboa e noutros pontos do país, coincidindo com o arranque do novo ano maçónico.
Para além de marcar a agenda ritual e interna, o debate sobre a presença das mulheres promete continuar a dividir os “irmãos”.


