Proposta dos EUA favorece Moscovo

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ANÁLISE

Os termos do plano de paz preparado pela Administração Trump para terminar a guerra na Ucrânia incluem concessões territoriais profundas por parte de Kiev e um conjunto de incentivos económicos e políticos dirigidos a Moscovo. O projeto, cuja autenticidade foi confirmada pela Casa Branca, prevê que os Estados Unidos reconheçam a Rússia como detentora de parte dos territórios ucranianos ocupados e que a Ucrânia congele a linha da frente nos locais onde Moscovo mantém controlo de facto.

O documento exige ainda que a Ucrânia ceda à Rússia áreas adicionais do Donbas ainda sob administração ucraniana e abandone definitivamente o objetivo de adesão à NATO. O efetivo das Forças Armadas ucranianas seria limitado a 600 mil militares, reduzindo a capacidade operacional do país no pós-guerra.

Em contrapartida, os Estados Unidos ofereceriam ao Kremlin incentivos económicos significativos, incluindo o levantamento gradual de sanções, a reintegração da Rússia no G8, e cooperação bilateral em áreas como energia, inteligência artificial, centros de dados e exploração de recursos no Árctico. Washington também se envolveria na reconstrução da Ucrânia, em coordenação com o Banco Mundial, e teria um papel central na supervisão do acordo através de um “conselho de paz” presidido por Donald Trump.

Segundo o projeto, a Rússia teria de assumir compromissos de não reinvadir a Ucrânia, aceitar um pacto de não agressão com a Europa e abster-se de deslocar tropas para áreas cedidas unilateralmente por Kiev. No entanto, os territórios de Luhansk, Donetsk e Crimeia seriam reconhecidos como “de facto russos” — incluindo pelos Estados Unidos — algo que contraria a posição ucraniana desde 2014.

O plano inclui ainda a exigência de que a Ucrânia convoque eleições num prazo de 100 dias, um ponto politicamente sensível num momento em que o Governo de Zelensky enfrenta críticas internas e um escândalo de corrupção. Kiev teria, no entanto, permissão para avançar com a integração europeia.

As reações em Kiev foram imediatas. Rustem Umerov, secretário do Conselho de Segurança Nacional da Ucrânia, negou ter aprovado qualquer ponto do plano, contrariando declarações da Casa Branca. No Conselho de Segurança da ONU, a diplomata ucraniana Khrystyna Hayovyshyn afirmou que o país rejeita “quaisquer limites ao direito de autodefesa” e não aceita ceder território a Moscovo.

A proposta foi igualmente recebida com reservas no continente europeu.

Nos Estados Unidos, a iniciativa já está a gerar debate político. O senador republicano Lindsey Graham defendeu que um acordo deste tipo “deveria passar pelo Senado”, sublinhando a necessidade de transparência num processo com impacto global.

Apesar de ser apresentado como um esforço para pôr fim a quase quatro anos de guerra, o documento enfrenta um obstáculo central: a resistência da própria Ucrânia, que considera que aceitar tais condições comprometeria a sua soberania e segurança a longo prazo.

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