Quem foi Jeffrey Epstein?

Economia

Elian Morvane
Elian Morvanehttps://www.arcananews.com/
Elian Morvane é autor e cronista do Arcana News, escrevendo atualmente na Revista Arcana News, sem deixar de colaborar também em peças noticiosas e em leituras estratégicas de política, economia e sociedade.

Jeffrey Epstein: o financista que transformou poder e silêncio num sistema de abuso

Durante anos, Jeffrey Epstein foi apresentado como um homem de sucesso: investidor brilhante, amigo de políticos, filantropo generoso, presença habitual nos círculos mais exclusivos de Nova Iorque, Palm Beach e Londres. Só mais tarde ficou claro que, por detrás dessa imagem de respeitabilidade, funcionava um esquema de abuso sexual de menores que atravessou fronteiras, instituições e governos.

De professor sem diploma a gestor de fortunas bilionárias.

Nascido em 1953, no Brooklyn, em Nova Iorque, filho de uma família judia de classe trabalhadora, Epstein não concluiu a universidade. Ainda assim, conseguiu um lugar como professor de Matemática e Física na prestigiada Dalton School, em Manhattan. Foi ali que estabeleceu os primeiros contactos com famílias poderosas de Wall Street. Um desses pais, executivo da banca de investimento Bear Stearns, abriu-lhe a porta do setor financeiro. A partir daí, a carreira acelerou.

De professor sem diploma a gestor de fortunas bilionárias

Depois de sair da Dalton, Epstein entrou na Bear Stearns como operador júnior. Rapidamente passou para a gestão de produtos complexos e aconselhamento de grandes fortunas. Em poucos anos tornou-se parceiro limitado do banco. Em 1981 saiu da instituição em circunstâncias pouco claras, mas manteve relações próximas com dirigentes da casa.

Seguiu-se uma fase nebulosa, em que combinou consultoria financeira, mediação em conflitos económicos e alegados trabalhos para governos e serviços de informação. Em meados da década de 1980, surgiu ligado à Towers Financial, empresa que viria a ser exposta como um vasto esquema Ponzi. O responsável máximo foi condenado; Epstein, que tinha trabalhado como consultor, nunca foi acusado mas saiu sem explicações públicas.

A verdadeira mudança de escala chegou com Leslie Wexner, fundador do império de retalho que incluía a Victoria’s Secret. Epstein ganhou poderes extraordinários sobre os negócios e o património do magnata, inclusive procurações que lhe permitiam comprar e vender imóveis, movimentar contas e gerir investimentos em nome do seu cliente. Essa relação explica, em grande medida, a fortuna que acumulou e o acesso a um universo onde se cruzavam milionários, membros de famílias reais e dirigentes políticos.

Ao longo dos anos, Epstein construiu um portefólio de propriedades que incluía uma mansão gigantesca em Manhattan, uma casa em Palm Beach, um rancho no Novo México e, sobretudo, a ilha privada de Little Saint James, nas Ilhas Virgens Americanas. Estas residências viriam a ser referidas por vítimas e investigadores como palcos centrais do padrão de abusos.

O “magnata” e as adolescentes: investigações, acordo secreto e primeira condenação

Em 2005, uma mãe em Palm Beach procurou a polícia local para denunciar que a enteada, com 14 anos, tinha sido paga para despir-se e massajar Epstein na sua mansão. A denúncia deu origem a uma investigação de treze meses. A polícia identificou dezenas de raparigas, muitas delas menores, descrevendo um esquema repetido: alguém do círculo de Epstein recrutava adolescentes vulneráveis, que eram levadas à casa do milionário para “massagens” pagas. Os testemunhos apontavam para contatos sexuais e para a existência de outras adolescentes recrutadas pelas primeiras, a troco de dinheiro.

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