O aplauso em Davos soou menos a entusiasmo do que a reconhecimento: a força voltou a falar sem máscara. Mark Carney apresenta o Canadá como potência intermédia e propõe “gestão de risco”: coordenação entre países do meio, redundância económica e disciplina interna para resistir à coerção e à exploração de fissuras domésticas.
O discurso de Mark Carney em Davos não vale por denunciar “bullies”, mas por declarar o fim de uma convenção: chamar “ordem baseada em regras” a um sistema onde a coerção económica se normalizou. A partir daí, tudo muda: soberania pode tornar-se teatro, dependência vira alavanca, e a alternativa deixa de ser nostalgia. Resta escolher entre fortalezas isoladas ou coligações disciplinadas.
O Supremo Tribunal do Canadá vai avaliar duas leis provinciais — em Quebec e Saskatchewan — que invocaram a cláusula “notwithstanding” para contornar decisões judiciais e direitos consagrados na Carta de Direitos e Liberdades. A decisão poderá redefinir os limites constitucionais do poder legislativo provincial.