Ucrânia intensifica ataques à “shadow fleet” russa

Economia

Elian Morvane
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Elian Morvane é autor e cronista do Arcana News, escrevendo atualmente na Revista Arcana News, sem deixar de colaborar também em peças noticiosas e em leituras estratégicas de política, economia e sociedade.

NOTÍCIA · Internacional · Guerra

A Ucrânia intensificou nos últimos dias a campanha dirigida contra a rede de petroleiros que Moscovo utiliza para contornar sanções internacionais e manter a exportação de crude.

O ataque mais recente foi conduzido com drones navais do tipo Sea Baby, desenvolvidos pelos serviços de segurança ucranianos, e atingiu um petroleiro ao largo da costa turca do Mar Negro, provocando uma explosão que iluminou o final do dia junto ao estreito.

Ucrânia amplia ofensiva naval e atinge navios ligados à “shadow fleet” russa no Mar Negro.

Imagens divulgadas pelos serviços de inteligência ucranianos mostram um drone a aproximar-se de um navio de transporte de petróleo antes de embater no casco. O alvo, segundo as autoridades de Kiev, integra a chamada “shadow fleet” russa — um conjunto opaco de embarcações, muitas de idade avançada, registadas sob bandeiras de conveniência para evitar penalizações sobre o transporte de petróleo russo.

Kiev assumiu a responsabilidade por dois ataques a petroleiros sancionados, numa rara confirmação pública deste tipo de operações. Os navios Kairos e Virat, ambos a caminho do porto russo de Novorossiysk, navegavam sem carga quando foram atingidos na costa turca. Fontes ucranianas afirmam que os dois navios têm capacidade para transportar petróleo avaliado em dezenas de milhões de dólares, constituindo um ativo estratégico para Moscovo.

A Rússia respondeu com novas ameaças. Vladimir Putin afirmou que poderá ampliar os ataques a portos ucranianos e aos navios que neles operam, chegando a sugerir que “cortar a Ucrânia do mar” eliminaria qualquer risco de incidentes futuros.

A Ucrânia tem, paralelamente, atingido infraestrutura energética russa no Mar Negro e no interior do país, incluindo um terminal que movimenta mais de 1% das exportações mundiais de petróleo. Os ataques inserem-se numa estratégia destinada a aumentar o custo operacional da guerra para Moscovo, elevando prémios de seguro, expondo fragilidades logísticas e obrigando a Rússia a redistribuir sistemas de defesa aérea.

Especialistas em energia sublinham que o impacto direto destes ataques permanece incerto, mas reconhecem que eles aumentam a pressão económica sobre a Rússia. O uso crescente de drones — que estendem o alcance ucraniano muito para além da linha da frente — tem levado Moscovo a reforçar rotas alternativas, nomeadamente através do Báltico, aumentando distâncias e custos.

A escalada coincide com um período de intensa diplomacia. Em Moscovo, um enviado especial norte-americano tem mantido contactos com autoridades russas sobre um possível enquadramento negocial, após reuniões com responsáveis ucranianos nos últimos dias. Enquanto essas discussões ocorrem, os ataques no Mar Negro tornam-se um elemento adicional de tensão para países da região, incluindo a Turquia, que alertou para riscos crescentes na navegação comercial.

Apesar de a Rússia ter demonstrado capacidade de recuperar rapidamente algumas das suas refinarias e substituir navios danificados, o número crescente de incidentes — incluindo explosões em petroleiros sancionados e danos em terminais estratégicos — tem elevado a perceção global de risco. O resultado é uma pressão adicional sobre as receitas energéticas do Kremlin, num momento em que o desconto aplicado ao crude russo já reduz significativamente o rendimento das exportações.

Autor: Arcana News

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