Vasco Lourenço critica comissão dos 50 anos do 25 de Novembro

Economia

Elian Morvane
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Elian Morvane é autor e cronista do Arcana News, escrevendo atualmente na Revista Arcana News, sem deixar de colaborar também em peças noticiosas e em leituras estratégicas de política, economia e sociedade.

Vasco Lourenço, um dos capitães de Abril mais influentes, voltou a assumir uma posição crítica sobre a forma como o país está a preparar as comemorações dos 50 anos do 25 de Novembro. Durante a apresentação do seu livro O 25 de Novembro – Memórias de um Capitão de Abril, em Lisboa, o militar classificou a comissão criada pelo Governo como uma “palhaçada” e apelou ao executivo para que “se envergonhe” da decisão.

Durante a apresentação do seu novo livro, o capitão de Abril contestou a independência da comissão criada pelo Governo e recusou participar nas comemorações oficiais.

Perante uma plateia na sede da Associação 25 de Abril, Lourenço questionou a independência e a imparcialidade política da comissão, contestando sobretudo a escolha dos representantes indicados pela Assembleia da República. O capitão afirmou que a composição do grupo não reflete a complexidade histórica do período e criticou o que considera ser uma abordagem “politicamente condicionada” da data.

O militar lamentou ainda que Alípio Tomé Pinto, a quem chamou “amigo”, tenha aceite presidir à comissão, defendendo que o processo não respeita o sentido histórico do fim do PREC. Revelou igualmente que foi convidado a participar numa homenagem ao “grupo dos nove”, mas recusou marcar presença.

Durante a sessão, Lourenço recuperou episódios dos anos pós-25 de Abril e sublinhou a importância daquilo a que chamou a “barreira do 25 de Abril”. Recordou uma conversa com Mário Soares sobre a Associação 25 de Abril, em que respondeu com ironia às reservas do antigo Presidente sobre a presença de comunistas na estrutura.

O militar abordou também a tese — debatida há décadas — de que Otelo Saraiva de Carvalho teria sido traído pelo PCP no 25 de Novembro, mencionando que essa ideia persiste entre alguns sectores comunistas. Referiu ainda leituras alternativas propostas por outros intervenientes da época, como Pires Veloso, Pinheiro de Azevedo, Melo Antunes e Ramalho Eanes, sublinhando que nunca considerou o 25 de Novembro como um golpe controlado pelo PCP.

A sessão contou igualmente com intervenções de Maria Inácia Rezola e do coronel Aniceto Afonso, que enquadraram historicamente as diferentes interpretações sobre aquele momento decisivo da democracia portuguesa.

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