A captura de Nicolás Maduro, a 3 de Janeiro, foi apresentada como solução. Não é. É um gesto de poder com utilidade política imediata — para quem o executa — e utilidade institucional quase nula — para quem fica no terreno.
Há uma razão simples para isto: Estados colapsados não se reconstroem por extração cirúrgica.
O erro não está na coragem da operação. Está na categoria mental que a acompanha. Confunde-se o rosto com o sistema. Tira-se o homem e espera-se que o aparelho volte a funcionar como se estivesse apenas “parado”. Não está. Está partido.
E, quando o aparelho está partido, a pergunta não é “quem fica no topo?”. É “quem manda em quê?”. Quem controla a força, quem controla as receitas e despesas, quem controla as rotas, quem controla as nomeações, quem controla o medo. Sem estas respostas, a palavra “transição” é apenas uma forma educada de dizer “vácuo”.
O troféu é claro. O resto é um país.
Donald Trump ganhou o que queria: um troféu. Uma imagem simples, exportável, repetível, capaz de caber num comício e num telejornal. A política americana adora vitórias com começo e fim visíveis. Isto tem começo e fim visíveis.
A reconstrução, por definição, não tem.
Reconstrução é contabilidade e cadeia de comando. É eletricidade, água, hospitais, tribunais, polícia, salários minimamente estáveis, inspeções que inspecionam, alfândegas que alfandegam, decisões que não mudam conforme a cara no gabinete. É a parte aborrecida e cara. A parte que consome anos. A parte que exige pessoas e método.
E é precisamente por isso que, quando a operação termina, a história real começa — e costuma ser deixada sem dono.
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