O Banco de Portugal antecipa uma desaceleração do fluxo de entrada de imigrantes para metade até 2027, acompanhando o abrandamento do emprego e do consumo. A instituição alerta que o impulso fiscal sentido em 2024 e 2025 será temporário.
O mais recente boletim económico do Banco de Portugal antecipa um novo ciclo de desaceleração no país: o crescimento da economia e do emprego deverá abrandar entre 2025 e 2027, e o fluxo de entrada de imigrantes — que atingiu níveis históricos nos últimos anos — poderá cair para quase metade.
Segundo as projeções do banco central, a entrada líquida de trabalhadores estrangeiros, que em 2023 aumentou cerca de 2%, deverá estabilizar em torno de 1% ao ano no horizonte de três anos. O cenário reflete não apenas o abrandamento da economia, mas também as novas regras de imigração anunciadas pelo Governo PSD-CDS, que tornam mais exigente o processo de entrada e residência para cidadãos estrangeiros.
O Banco de Portugal sublinha que a criação de emprego “atingiu praticamente o pleno” e que a taxa de desemprego deverá manter-se baixa, próxima dos 6,3% da população ativa. Contudo, o ritmo de crescimento do emprego cairá progressivamente — de 1,8% em 2025 para 0,5% em 2027.
O relatório destaca ainda que a imigração tem sido um dos principais motores da economia nacional: em 2023, os imigrantes representavam já 13,4% do total de trabalhadores em Portugal, com maior peso nos setores da agricultura, hotelaria e restauração.
O documento recorda que “sem imigração, a economia portuguesa não teria crescido”, citando análises anteriores de Mário Centeno.
O boletim também atualiza as previsões de crescimento do PIB, revendo em alta o valor para 1,9% em 2024 e 2,2% em 2025, sustentado pelo impulso fiscal das reduções de IRS e pela execução dos fundos europeus do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
Ainda assim, o Banco alerta: o efeito do alívio fiscal é “temporário” e tenderá a desaparecer em 2026, à medida que as famílias ajustam o consumo e a economia regressa a um ritmo mais estável.
Na análise às exportações, o BdP identifica sinais de fraqueza: o comércio externo português está a ser afetado pela desaceleração internacional e pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos a vários setores. As previsões apontam para um crescimento das exportações de apenas 1,1% este ano e 2,2% em 2026, abaixo das estimativas anteriores.
Em síntese, o Banco de Portugal projeta um cenário de normalização económica: crescimento mais moderado, emprego estabilizado e uma redução gradual dos fluxos migratórios, depois de um período de forte expansão sustentado, em grande parte, pela chegada de trabalhadores estrangeiros.


