Contexto · Ideias · Ano Novo
Há uma frase de um bispo episcopal de Chicago, Gerald Burrill, que diz assim: A diferença entre uma rotina e uma campa é a profundidade.
Leva tempo a perceber. Quando se é criança, parece apenas um trocadilho inteligente. Quando se tem 30 anos e um emprego que não muda, começa a doer. Quando se tem 50, todas as manhãs ao acordar perguntamo-nos: estou a caminhar para o trabalho ou estou lentamente a enterrar-me?
A rotina não mata de repente. Mata devagar. Um dia de cada vez. Uma semana igual à anterior. Um mês que é cópia do último. E quando damos por nós, já estamos tão fundo que subir parece impossível.
O problema não é ter rotinas. O problema é quando a rotina se torna o único horizonte. Quando deixamos de nos perguntar se há outro caminho. Quando aceitamos que “é assim que as coisas são” e paramos de imaginar que poderiam ser diferentes.
A campa espera quieta no fim. A rotina cava um pouco todos os dias.
A diferença?
A profundidade.
Que 2026 lhe traga ar, espaço e um gesto novo — mesmo pequeno — para quebrar o ciclo. Bom Ano: com saúde, e com a coragem tranquila de não viver por hábito.
Autor: Redação do Arcana News
Imagem: Redação do Arcana News – Cartoon Arcana News — ilustração gerada por IA (OpenAI).
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