China e Europa: duas formas de decidir

Economia

Elian Morvane
Elian Morvanehttps://www.arcananews.com/
Elian Morvane é autor e cronista do Arcana News, escrevendo atualmente na Revista Arcana News, sem deixar de colaborar também em peças noticiosas e em leituras estratégicas de política, economia e sociedade.

Na primavera de 2023, quando a OpenAI lançou o GPT-4 e desencadeou um pânico regulatório em Bruxelas, Pequim tomou uma decisão diferente. Enquanto a Comissão Europeia iniciava consultas públicas sobre riscos éticos da inteligência artificial — processo que duraria meses e resultaria no AI Act, a primeira lei abrangente do mundo sobre o tema —, o governo chinês fez outra coisa. Ordenou às empresas estatais de energia que garantissem o fornecimento prioritário e tarifas reduzidas para os centros de dados dedicados a IA. Não houve debate público prolongado. Não houve ponderação de trade-offs entre inovação e precaução. Houve instrução, execução e resultado.

Dezoito meses depois, a China tinha duplicado a sua capacidade de treino de modelos de grande escala. A Europa tinha uma lei.

Este contraste não é acidental, nem pontual. É estrutural. E revela algo incómodo sobre o confronto contemporâneo entre os sistemas políticos: o verdadeiro teste já não é entre autoritarismo e a democracia, mas entre decisão e hesitação. A China não está a vencer porque faz tudo bem. Está a vencer porque decidiu o que quer. A Europa não está a perder porque decide mal. Está a perder porque evita decidir.

Duas economias, uma prioridade

A China vive hoje com duas economias sobrepostas, e nenhuma delas é segredo. A primeira é doméstica: crescimento em desaceleração, bolha imobiliária em correcção lenta, consumo retraído, desemprego jovem acima de 20%. Nos últimos dois anos, o governo central lançou sucessivos pacotes de estímulo que produziram efeito limitado. As famílias chinesas poupam mais, consomem menos, e a confiança no mercado interno não recuperou.

A segunda a economia é diferente: exportações recordes, domínio em cadeias globais de valor, avanços rápidos em sectores tecnológicos estratégicos. Em 2024, a China ultrapassou a Alemanha como maior exportador de automóveis do mundo — não apenas em volume, mas em valor acrescentado, porque grande parte são veículos eléctricos de gama média-alta. Tornou-se também o maior produtor mundial de equipamento farmacêutico automatizado, de baterias de estado sólido em fase pré-comercial, e de robots industriais para manufatura de precisão.

Esta duplicidade não é paradoxo. É prioridade.

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