NOTÍCIA · Europa · Guerra
Vários líderes europeus expressaram profundo mal-estar com a possibilidade de os Estados Unidos avançarem negociações de paz com Moscovo que deixem a Ucrânia em posição vulnerável. A informação surge numa nota interna — revelada pela revista alemã Der Spiegel — que sintetiza uma chamada conjunta entre responsáveis europeus e Volodymyr Zelensky.
Líderes europeus receiam que os EUA possam abandonar Kiev em futuras negociações de paz.
Segundo a revista, Emmanuel Macron terá alertado que o atual momento diplomático representa “um grande perigo” para o presidente ucraniano, admitindo existir o risco de Washington aceitar um acordo que envolva cedências territoriais sem garantias de segurança transparentes. Na mesma chamada, o chanceler alemão Friedrich Merz terá advertido Zelensky de que “estão a brincar connosco e consigo”, numa referência a sinais contraditórios provenientes de contactos norte-americanos com Moscovo.
Outros líderes, como o finlandês Alexander Stubb, reforçaram a necessidade de a Europa não permitir que Kiev negoceie isolada. De acordo com a Spiegel, Stubb terá defendido que “não podemos deixar a Ucrânia e Volodymyr sozinhos com estes tipos”. Até Mark Rutte, secretário-geral da NATO e habitualmente alinhado com Washington, terá concordado que o presidente ucraniano precisa de ser politicamente protegido pelas capitais europeias.
O Guardian, que cita a reportagem da Spiegel, afirma não ter tido acesso direto ao documento, mas confirma que várias fontes europeias reconheceram a realização da chamada e validaram a precisão das citações divulgadas. O porta-voz de Zelensky recusou comentar; o gabinete de Merz também não se pronunciou. O Eliseu, porém, contestou liminarmente as declarações atribuídas a Macron.
A revelação acentua a crescente ansiedade entre governos europeus sobre a estratégia norte-americana no conflito. Para vários dirigentes, qualquer acordo que envolva concessões territoriais sem garantias de segurança consolidadas poderá fragilizar não só Kiev, mas também o equilíbrio de segurança continental. A divergência entre aliados volta, assim, ao centro da discussão sobre o desfecho da guerra.
Autor: Arcana News


