Contra-terrorismo na Europa: por que falhou desde 1985?

De 1985 ao presente: doutrina, falhas estruturais e o preço político da repetição.

Economia

Elian Morvane
Elian Morvanehttps://www.arcananews.com/
Elian Morvane é autor e cronista do Arcana News, escrevendo atualmente na Revista Arcana News, sem deixar de colaborar também em peças noticiosas e em leituras estratégicas de política, economia e sociedade.

Em 2024, a União Europeia registou 58 ataques terroristas em 14 Estados-Membros. O número representa uma redução de mais de metade face a 2023, quando foram contabilizados 120 incidentes. À primeira vista, os dados sugerem progresso. Vinte países prenderam 449 pessoas por infrações relacionadas com terrorismo — mais do que em qualquer ano anterior na última década. Os sistemas de vigilância são mais sofisticados, a cooperação policial mais estreita, os orçamentos de segurança mais robustos.

As Três Ilusões do Contra-Terrorismo: Porque é que a Europa Continua a Perder.

Contudo, eis o paradoxo: quase um terço dos detidos tinha entre 12 e 20 anos. O mais novo, acusado de planear um ataque de motivação extremista de direita, tinha 12 anos. A radicalização online de adolescentes isolados representa agora uma ameaça maior do que as células organizadas que aterrorizaram a Europa nos anos 80 e 90. Os Estados gastam mais, sabem mais, coordenam melhor — e enfrentam um inimigo que nasceu depois de muitos destes sistemas terem sido construídos.

Este não é um artigo sobre o fracasso do contra-terrorismo europeu. É, aliás, sobre a persistência de três ilusões estruturais que impedem governos de compreender a natureza do problema que enfrentam.

Ilusões que já existiam em 1985, quando o terrorismo europeu atingiu um pico anterior, e que continuam intactas quatro décadas depois.

I. A Ilusão da Coordenação

No verão de 1985, a Europa Ocidental debatia-se com uma vaga de terrorismo sem precedentes. Grupos como a Fração do Exército Vermelho alemã, as Brigadas Vermelhas italianas e a Ação Direta francesa tinham declarado uma “frente anti-imperialista” europeia. Em janeiro desse ano, o general René Audran, responsável pelas vendas de armas francesas, foi assassinado à porta de casa. Dez dias depois, Ernst Zimmermann, diretor de uma empresa alemã fabricante de motores para tanques da NATO, foi morto em Munique. Os terroristas não estavam apenas a cooperar — estavam a operar fora dos seus países de origem, explorando lacunas jurisdicionais entre forças policiais nacionais.

A resposta foi previsível. Cimeiras, declarações solenes, criação de grupos de trabalho bilaterais. Em fevereiro de 1985, os primeiros-ministros francês e alemão anunciaram uma linha direta para partilha de informação. Os Diplomatas europeus congratularam-se com a nova era de cooperação.

Quarenta anos depois, 58 ataques terroristas ocorreram em 2024 em 14 Estados-Membros da UE. Itália e França registaram o maior número — 20 e 14, respetivamente. A Alemanha teve seis. Os dados são compilados pela Europol, uma agência criada precisamente para coordenar a resposta europeia ao terrorismo transnacional.

O que mudou? Formalmente, tudo.

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