Em 2024, a União Europeia registou 58 ataques terroristas em 14 Estados-Membros. O número representa uma redução de mais de metade face a 2023, quando foram contabilizados 120 incidentes. À primeira vista, os dados sugerem progresso. Vinte países prenderam 449 pessoas por infrações relacionadas com terrorismo — mais do que em qualquer ano anterior na última década. Os sistemas de vigilância são mais sofisticados, a cooperação policial mais estreita, os orçamentos de segurança mais robustos.
As Três Ilusões do Contra-Terrorismo: Porque é que a Europa Continua a Perder.
Contudo, eis o paradoxo: quase um terço dos detidos tinha entre 12 e 20 anos. O mais novo, acusado de planear um ataque de motivação extremista de direita, tinha 12 anos. A radicalização online de adolescentes isolados representa agora uma ameaça maior do que as células organizadas que aterrorizaram a Europa nos anos 80 e 90. Os Estados gastam mais, sabem mais, coordenam melhor — e enfrentam um inimigo que nasceu depois de muitos destes sistemas terem sido construídos.
Este não é um artigo sobre o fracasso do contra-terrorismo europeu. É, aliás, sobre a persistência de três ilusões estruturais que impedem governos de compreender a natureza do problema que enfrentam. Ilusões que já existiam em 1985, quando o terrorismo europeu atingiu um pico anterior, e que continuam intactas quatro décadas depois.
I. A Ilusão da Coordenação
No verão de 1985, a Europa Ocidental debatia-se com uma vaga de terrorismo sem precedentes. Grupos como a Fração do Exército Vermelho alemã, as Brigadas Vermelhas italianas e a Ação Direta francesa tinham declarado uma “frente anti-imperialista” europeia. A resposta foi previsível. Cimeiras, declarações solenes, criação de grupos de trabalho bilaterais. Os Diplomatas europeus congratularam-se com a nova era de cooperação.
Quarenta anos depois, 58 ataques terroristas ocorreram em 2024 em 14 Estados-Membros da UE. A arquitetura institucional de coordenação que não existia em 1985 existe agora. A Europol tem bases de dados partilhadas, sistemas de alerta rápido, ligações diretas entre agências nacionais. O que não mudou? A disposição dos Estados para subordinar interesses nacionais à coordenação efetiva.
A ilusão não é acreditar que a coordenação é desejável. A ilusão é acreditar que declarações de intenção e estruturas institucionais substituem vontade política.
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