NOTÍCIA
A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, afirmou que a economia da União Europeia se mantém estruturada para um mundo que está a desaparecer.
O aviso do BCE sobre a economia europeia.
A mensagem foi deixada no Congresso Bancário Europeu, em Frankfurt, e sublinha a necessidade urgente de reformas capazes de travar a perda de competitividade do bloco.
A dependência externa e os riscos acumulados
Segundo Lagarde, a UE apoiou a sua prosperidade numa rede de comércio internacional que hoje é menos aberta e menos estável. Os Estados Unidos adotaram políticas tarifárias agressivas, enquanto a China reforçou o controlo sobre matérias-primas e componentes críticos. O BCE destaca dois pontos de vulnerabilidade: o domínio chinês dos minerais essenciais à transição energética e a concentração de chips de potência, produzidos por empresas instaladas na China, que podem travar a indústria automóvel global.
As fragilidades internas do mercado único
Lagarde apontou também para bloqueios internos. O mercado único pouco avançou nos setores decisivos para o crescimento futuro, como a tecnologia digital, os semicondutores ou a inteligência artificial. Ao mesmo tempo, a fragmentação dos mercados de capitais continua a empurrar poupança europeia para os Estados Unidos, contribuindo para que a produtividade no continente permaneça estagnada.
O caminho de reformas defendido por Lagarde
Para recuperar dinamismo económico, a presidente do BCE defendeu a redução de barreiras internas ao comércio de bens e serviços. As estimativas do banco central mostram que essas barreiras equivalem, na prática, a tarifas de 100% nos serviços e 65% nos bens. Uma maior harmonização regulatória, incluindo o reconhecimento mútuo de empresas autorizadas num Estado-membro, ajudaria a libertar o mercado interno.
Lagarde defendeu ainda a adoção de voto por maioria qualificada em matérias fiscais, argumentando que o atual sistema de unanimidade inviabiliza reformas estruturais. A harmonização parcial do IVA poderia facilitar a atividade de pequenas e médias empresas em toda a UE, reduzindo custos e incertezas.
O significado estratégico do alerta
O BCE resume o desafio de forma direta: num mundo mais protecionista e mais competitivo, a Europa precisa de se abrir mais dentro de portas para compensar o fecho externo. Reforçar o mercado interno, investir em tecnologias críticas e reduzir dependências são, para Lagarde, condições essenciais para que a economia europeia mantenha relevância global nos próximos anos.
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