Novo Banco: Governo assume que não consegue travar bónus da Lone Star

Economia

Elian Morvane
Elian Morvanehttps://www.arcananews.com/
Elian Morvane é analista do Arcana News, onde escreve sobre geopolítica, poder e relações internacionais. É autor de mais de trezentos artigos de análise e contexto, com foco nas dinâmicas europeias, na política institucional e nos processos de influência que raramente chegam às manchetes.

ANÁLISE

Na comissão parlamentar de inquérito, Joaquim Miranda Sarmento não deixou margem para grandes interpretações.

Questionado sobre os bónus a gestores ligados à venda do Novo Banco ao grupo francês que passa a controlar o banco, o ministro das Finanças respondeu que o Estado “não dispõe de mecanismos” para travar decisões tomadas pela Lone Star enquanto acionista de referência.

Estado é acionista minoritário e remete decisão sobre prémios para o fundo norte-americano.

A explicação assenta na arquitetura acionista herdada da resolução do BES. O fundo norte-americano detém a larga maioria do capital e controla os principais órgãos sociais; o Fundo de Resolução e o Tesouro ficaram com uma posição residual, sem votos suficientes para impor ou vetar políticas de remuneração. Em linguagem simples: quem manda no banco decide quanto paga aos seus gestores e o Estado, apesar de ter sustentado a instituição durante anos, limita-se a assistir.

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