NOTÍCIA
O Louvre vive um dos períodos mais delicados da sua história recente. Um mês depois do assalto de 102 milhões de dólares à Galeria Apolo, a direção do museu voltou a ser pressionada pelo parlamento francês devido a uma nova falha de segurança, ocorrida na semana passada.
Louvre sob pressão: nova falha de segurança expõe fragilidade estrutural do museu após assalto milionário.
Laurence des Cars, diretora e presidente do Louvre desde 2022, foi chamada à Comissão de Assuntos Culturais da Assembleia Nacional para explicar como dois influenciadores belgas conseguiram pendurar um retrato seu numa das salas mais vigiadas do mundo — precisamente aquela onde se encontra a Mona Lisa.
“Incidentes constantes”, admite direção
Des Cars pediu que o episódio fosse contextualizado: apesar da imagem de fortaleza cultural, o museu sofre regularmente perturbações nas suas galerias. Recordou, por exemplo, o ataque de ativistas ambientais que lançaram sopa sobre obras de arte nos últimos anos.
Ainda assim, reconheceu que o momento é crítico. O assalto de outubro, executado em apenas sete minutos através de uma grua mecânica e ferramentas elétricas, expôs fragilidades chocantes num museu que recebe mais de sete milhões de visitantes por ano.
Entre as revelações recentes:
— uma câmara de segurança exterior não estava apontada para a galeria assaltada;
— vários trechos do perímetro não tinham cobertura de vídeo;
— e, de forma quase surreal, o password do sistema de videovigilância era apenas “Louvre”.
20 medidas de emergência e uma esquadra dentro do museu
Segundo des Cars, está em marcha um plano de reforço urgente composto por mais de vinte medidas que serão aplicadas “nos próximos dias”. Entre elas:
- construção de uma esquadra de Polícia dentro do recinto do museu — algo inédito;
- instalação de 100 novas câmaras, inclusive para reforçar as zonas exteriores;
- criação de um cargo de coordenador de segurança;
- reabertura condicionada de duas galerias encerradas após serem consideradas estruturalmente frágeis.
Estas ações fazem parte de uma fase acelerada do plano estratégico “Louvre Nouvelle Renaissance”, um investimento total de 933 milhões de dólares que inclui a renovação progressiva da infraestrutura tecnológica.
Investigações continuam — mas as jóias continuam desaparecidas
Quatro suspeitos foram detidos e acusados pela justiça francesa. Contudo, as oito peças da coleção de joias da coroa desaparecidas continuam por encontrar.
As autoridades não excluem novas detenções e, até ao momento, dizem não existir provas que envolvam funcionários do museu.
Um museu icónico, uma reputação em risco
A diretora reconheceu a “trágica ironia” do momento: muitas das melhorias de segurança estavam precisamente a ser implementadas quando ocorreu o assalto.
Agora, perante o escrutínio público e político, des Cars afirma ter um objetivo claro: “instilar uma verdadeira cultura de segurança no Louvre”.
O desafio é grande: preservar o museu mais visitado do mundo, símbolo da memória artística europeia, enquanto reconstrói a confiança do público numa instituição que parecia inexpugnável — mas que revelou ser vulnerável.
ANÁLISE | Arcana News
Créditos da imagem: “View of the Louvre Museum with a fountain in the courtyard”, fotografia de Shvets Anna, via Pexels (licença livre).


