Em 1919, a 29 de maio, o céu escureceu sobre a Ilha do Príncipe e sobre Sobral, no Brasil. Nesse instante fugaz, durante um eclipse solar total, a luz das estrelas foi desviada — e com ela, a história da ciência.
As observações feitas nessas duas regiões, então parte do império colonial português, confirmaram pela primeira vez uma das previsões mais ousadas da teoria da relatividade geral de Albert Einstein: a curvatura da luz sob a influência da gravidade.
O episódio, há mais de um século, ligou Portugal à vanguarda da ciência mundial. Foi graças à expedição chefiada por Arthur Eddington, astrónomo britânico e diretor do Observatório de Cambridge, que as fotografias do eclipse puderam ser analisadas e comparadas. A deflexão observada confirmou o que Einstein havia proposto em 1915: o espaço e o tempo não são entidades fixas, mas podem ser moldados pela presença da matéria.
Mais do que um feito técnico, foi um momento de viragem simbólica — a consagração pública da relatividade e o início de uma nova cosmologia. A ciência europeia, abalada pela Primeira Guerra Mundial, reencontrava na cooperação científica uma ponte sobre as ruínas da política.
Em 2025, o Centro Nacional de Cultura recorda esse episódio através do ciclo de conferências Eclipses Solares Totais em Portugal — Astronomia, Império e Divulgação da Ciência. A próxima sessão, intitulada Einstein, Eddington e o Eclipse: uma história global do eclipse solar total de 1919, realiza-se no dia 29 de outubro, às 18h00, na Galeria Fernando Pessoa, em Lisboa.
A conferência contará com intervenções de Ana Simões, investigadora do CIUHCT (Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa), e Hugo Soares, coordenador do projeto E3GLOBAL, que se propõe reconstruir a primeira história global do eclipse de 1919, analisando as viagens e contextos das duas expedições astronómicas britânicas que mudaram a visão humana do universo.
📍 Local: Centro Nacional de Cultura – Galeria Fernando Pessoa
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