FBI tenta ouvir seis democratas após vídeo sobre ordens ilegais às Forças Armadas

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Notícia · Estados Unidos · Política / Justiça

O FBI está a tentar agendar entrevistas com os seis congressistas democratas que gravaram um vídeo dirigido às Forças Armadas a recordar que os militares não devem cumprir ordens ilegais, segundo várias fontes citadas pelos media norte-americanos. As diligências estão a ser feitas em nome do Departamento de Justiça, mas ainda não existe calendário definido, até porque o país entra no fim-de-semana prolongado do Dia de Ação de Graças.

Uma das visadas, a senadora democrata Elissa Slotkin, afirmou nas redes sociais que a Divisão de Contraterrorismo do FBI terá aberto um inquérito à sua atuação. Na mesma mensagem, acusou Donald Trump de estar a usar o aparelho federal contra adversários políticos e de tratar os processos legais como método de intimidação, precisamente o risco que, segundo ela, justificou a gravação do vídeo dirigido aos militares. Slotkin acrescentou que não reconhece neste clima o país onde cresceu e que não deixará de defender a Constituição por causa desta iniciativa.

A polémica alargou-se aos serviços de informação. Um porta-voz da CIA divulgou uma nota em que critica a senadora, colocando-a no grupo de antigos oficiais que, na visão da Agência, usam a sua experiência para promover uma agenda política considerada desonesta. A mesma nota sublinha que, embora o pessoal da CIA não esteja sujeito ao Código de Justiça Militar, os ex-agentes devem lembrar o juramento que fizeram e manter um comportamento compatível com esse compromisso, mesmo depois de deixarem funções.

Em entrevista ao programa “This Week”, da ABC News, Slotkin explicou que o vídeo foi preparado depois de oficiais das Forças Armadas lhe terem transmitido, em privado, preocupações sobre possíveis ordens irregulares. Questionada sobre se considera que Trump já terá emitido ordens claramente ilegais, respondeu que não tem conhecimento directo de situações desse tipo, mas admitiu que, na sua perspetiva, há um conjunto de “acrobacias jurídicas” em torno dos ataques na região das Caraíbas e de tudo o que envolve a Venezuela.

Os gabinetes dos deputados democratas que também participam no vídeo confirmaram, em declarações à mesma estação, que o FBI está a tentar marcar conversas formais com todos. Num comunicado conjunto, acusaram o Presidente de usar a polícia federal como instrumento de intimidação e assédio contra membros eleitos do Congresso. Reafirmaram ainda que o dever de defender a Constituição vale para toda a vida política e garantiram que não serão afastados das suas funções por pressões desta natureza.

Trump e o Pentágono sobem o tom

O director do FBI, Kash Patel, evitou comentar o caso em detalhe, invocando tratar-se de um assunto em curso. Numa entrevista difundida na rede X, limitou-se a dizer que qualquer decisão caberá aos agentes e analistas de carreira e que será avaliado se existe, ou não, fundamento legal para abertura de um inquérito formal.

Donald Trump, por seu lado, já tinha acusado os seis parlamentares democratas de comportamento sedicioso, por apelarem aos militares para que rejeitassem ordens ilegais. Num comício recente, recuperou comparações com o passado, lembrando que, noutras épocas, suspeitas deste tipo eram punidas de forma muito mais severa e sugerindo que hoje quase nada tem consequências.

Ao mesmo tempo, o Pentágono anunciou uma “revisão exaustiva” da conduta do senador Mark Kelly, ex-comandante da Marinha e um dos protagonistas do vídeo. O secretário da Defesa, Pete Hegseth, justificou a iniciativa com a necessidade de preservar a clareza da cadeia de comando, defendendo que as Forças Armadas já dispõem de mecanismos definidos para lidar com ordens ilegais e que intervenções de natureza política podem lançar dúvidas desnecessárias sobre esse sistema.

Numa mensagem publicada também em X, Hegseth apelidou o grupo de seis democratas de “Seditious Six”, mas esclareceu por que motivo apenas Kelly é alvo de uma revisão formal. Segundo o responsável, cinco dos seis participantes não estão sob jurisdição do Departamento da Defesa: um exerceu funções na CIA e quatro passaram pelas Forças Armadas, mas não pertencem à reserva militar, pelo que já não são abrangidos pelo Código de Justiça Militar. Mark Kelly, na qualidade de comandante aposentado da Marinha, continua sujeito a esse estatuto.

O gabinete do senador do Arizona reagiu às notícias sobre as diligências do FBI e à revisão anunciada pelo Pentágono dizendo que Kelly não se deixará intimidar por Trump ou por Hegseth e que continuará a exercer plenamente o seu mandato no Senado.

Foto: ArtisticOperations, via Pixabay

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