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Bispos católicos alertam para “clima de medo” causado por deportações nos EUA
O presidente da U.S. Conference of Catholic Bishops, Paul Coakley, afirmou no domingo que a política de deportações em massa da administração Trump está a gerar um clima de medo generalizado nas comunidades migrantes em todo o país.
Em entrevista ao programa Face the Nation, da CBS News, Coakley sublinhou que a situação “está a incutir medo de forma bastante ampla”, acrescentando que as pessoas “têm direito a viver em segurança e sem receio de deportações arbitrárias”.
O arcebispo de Oklahoma City frisou que esta realidade deve preocupar toda a sociedade norte-americana.
No mês passado, a conferência episcopal católica criticou formalmente a campanha de fiscalização migratória do governo, manifestando-se “perturbada com o clima de medo e ansiedade” associado a práticas de perfilagem e à aplicação das leis de imigração.
Os bispos referiram ainda preocupações com as condições nos centros de detenção, a falta de acesso a acompanhamento pastoral e o facto de alguns imigrantes terem perdido, de forma arbitrária, o seu estatuto legal.
As posições dos bispos receberam apoio explícito do Papa Leão XIV, que considerou a mensagem “muito importante”.
O pontífice reconheceu que existem problemas estruturais no sistema de imigração dos Estados Unidos e afirmou não defender “fronteiras abertas”, mas alertou que os migrantes — incluindo pessoas que vivem no país há muitos anos — estão a ser tratados de forma “perturbadora”.
Segundo dados divulgados pelo Departamento de Segurança Interna dos EUA, mais de 527 mil migrantes sem estatuto legal terão sido removidos desde o regresso de Donald Trump à presidência.
O mesmo organismo indicou que cerca de 1,6 milhões de pessoas terão abandonado o país voluntariamente desde 20 de janeiro.
A intensificação das operações de imigração tem sido particularmente visível em cidades como Los Angeles, Washington, D.C., e Charlotte, na Carolina do Norte.
Coakley defendeu que não existe contradição entre o dever do Estado de proteger as fronteiras e a obrigação moral de tratar todas as pessoas com dignidade. “A dignidade é dada por Deus”, afirmou. “O Estado não a concede — e também não a pode retirar.”
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