Há uma tentação persistente de pensar o Ártico como futuro. Algo que ainda não aconteceu, mas que virá. Essa leitura é confortável porque desloca a responsabilidade: se é futuro, ainda há tempo. A Gronelândia desmonta essa ilusão. O que ali se passa já aconteceu várias vezes — apenas em regimes técnicos, longe da linguagem política comum.
Durante a segunda metade do século XX, a presença militar estrangeira na ilha foi normalizada pela lógica da sobrevivência. Não se tratava de escolha, mas de necessidade. O problema é que as infra-estruturas – não me refiro à NATO – criadas sob o signo da emergência tendem a sobreviver à própria emergência. Os sistemas de alerta, as pistas, os acordos operacionais não foram desmantelados com o fim da Guerra Fria; foram reduzidos, reconfigurados, colocados em espera. A espera, em geopolítica, é uma forma de continuidade.
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