O júri distinguiu a poeta e historiadora angolana pela “fecunda e coerente trajetória de criação estética” e pelo “resgate de dignidade da Poesia”.
A poeta e historiadora angolana Ana Paula Tavares foi distinguida com o Prémio Camões 2025, o mais prestigiado galardão literário da língua portuguesa. O anúncio foi feito pela Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB), que sublinhou o “resgate de dignidade da Poesia” alcançado pela autora ao longo de décadas de criação literária.
Segundo o comunicado do júri, o prémio reconhece “a fecunda e coerente trajetória de criação estética” da autora e “a relevância antropológica e histórica” da sua escrita, que une a poesia à memória e à identidade angolana.
“Com a dicção do seu lirismo sem concessões evasivas e com os livres compromissos da produção em crónica e em ficção narrativa, a obra de Ana Paula Tavares ganha também relevante dimensão antropológica em perspetiva histórica”, lê-se na deliberação oficial.
A decisão foi tomada esta terça-feira, numa reunião que juntou os seis membros do júri: Ana Mafalda Leite e José Carlos Seabra Pereira (Portugal), Francisco Noa (Moçambique), Arno Wehling e Maria Lucia Santaella Braga (Brasil) e Lopito Feijóo (Angola).
Nascida em 1952, na cidade de Lubango, Ana Paula Tavares é doutorada em Antropologia da História pela Universidade Nova de Lisboa. Vive atualmente em Lisboa, onde leciona na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e colabora como investigadora convidada em diversas instituições, entre as quais o CLEPUL (Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias) e o Arquivo Histórico Nacional de Angola (AHNA).
Autora de uma obra que cruza poesia, prosa e ensaio, Ana Paula Tavares é uma das vozes mais marcantes da literatura africana contemporânea. A sua escrita, de tom simultaneamente íntimo e histórico, tem explorado temas como a memória, o corpo, o feminino e o legado colonial. Entre os seus livros mais conhecidos estão Ritos de Passagem, O Lago da Lua e Manual para Amantes Desesperados.
Com o Prémio Camões, Ana Paula Tavares junta-se a uma lista de autores que marcaram a língua portuguesa — de José Craveirinha a Sophia de Mello Breyner, de Pepetela a Lídia Jorge — reforçando o lugar da literatura angolana como um dos pilares da cultura lusófona.


