Estados Unidos · Comunicação Política · Governação.
Há um erro confortável — e por isso recorrente — em tratar as redes sociais como meio e não como método.
O que mudou com a política “social-media-first” da era Trump não foi a forma de comunicar; foi a forma de decidir.
Quando o poder passa a pensar em tempo de feed, a administração deixa de agir como um Estado e passa a comportar-se como uma conta grande: otimiza reações, procura adesão instantânea, confunde a confusão que lança com legitimidade, e substitui coerência por impulsos que rendem.
Isto não é uma metáfora. É uma engenharia de incentivos.
Num Estado normal, o funcionário sobe porque entrega resultados mensuráveis, respeita a cadeia de comando, aprende os limites da lei, conhece a máquina.
Num Estado dominado pelo feed, sobe quem prova lealdade publicamente, quem produz o “clipe certo”, quem transforma conflito em conteúdo. A competência fica dependente de uma qualidade que não serve para governar: viralidade. E a viralidade, por definição, recompensa o exagero, a humilhação, a ameaça, a frase que cabe num ecrã.
O resultado é um regime de decisão curto e agressivo: o que não dá retorno imediato é tratado como fraqueza; o que exige explicação é tratado como suspeito; o que pede prudência é tratado como sabotagem.
O mecanismo: governar como quem “posta”
O feed impõe três deformações básicas.
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